aioria dos parlamentares preferiu não se pronunciar antes da votação, marcada para quarta-feira (2); sete anunciaram apoio ao presidente

Na história do País, Michel Temer é primeiro presidente da Repúbliaca denunciado ao Supremo no exercício do mandato

Na história do País, Michel Temer é primeiro presidente da Repúbliaca denunciado ao Supremo no exercício do mandatoBeto Barata/PR

Apenas nove dos 30 deputados federais do Paraná declararam voto a favor da admissibilidade da denúncia por corrupção passiva contra o presidente Michel Temer (PMDB-SP). A maioria (14) preferiu não se posicionar ou adiantou ser contra o andamento das investigações (sete). O levantamento foi feito pela FOLHA, ao longo da última semana. 

A votação na Câmara está prevista para esta quarta-feira (2), após o fim do recesso parlamentar. A partir das 9 horas, o plenário vai decidir se a acusação da Procuradoria-Geral da República (PGR) deve ou não seguir para o Supremo Tribunal Federal (STF). Mesmo durante as férias, o Palácio do Planalto vinha trabalhando, nos bastidores, pelo arquivamento do caso. 

Conforme reportagem da organização Contas Abertas, a União também liberou R$ 2,12 bilhões em emendas aos parlamentares nas três primeiras semanas de julho, o equivalente a quase tudo o que foi liberado nos seis primeiros meses de 2017. Tais recursos são previstos no Orçamento, mas a aplicação é indicada pelos deputados. 

Partidos de oposição atribuem a rejeição, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), do relatório de Sergio Zveiter (PMDB-RJ), que recomendava o prosseguimento da denúncia contra Temer, à liberação "ostensiva" de emendas. Os governistas, contudo, negam qualquer tipo de vantagem. Da mesma forma, rejeitam que houve oferta de cargos ou outros "agrados". 

Para que as investigações prossigam no STF, são necessários os votos de dois terços da Casa, isto é, 342 nomes. De acordo com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), a defesa de Temer terá 25 minutos para se manifestar. Já a votação poderá começar assim que ao menos 342 dos 513 deputados estiverem presentes. A chamada será nominal, nos mesmos moldes do processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), há pouco mais de um ano. 

O relatório da PGR foi elaborado com base nas delações de executivos do grupo J&F, que controla a JBS. É a primeira vez que um presidente da República é denunciado ao Supremo no exercício do mandato. 

OPOSIÇÃO

Entre os paranaenses que adiantaram voto a favor da denúncia as opiniões estavam divididas. "A denúncia é grave e há indícios de prática de crime comum. Por isso, ele [Temer] tem que ser julgado pela Justiça, por meio do STF. O País não pode mais ficar refém desses grupos e do jeito antigo de fazer política", opinou Aliel Machado (Rede). 

"A nós, da mesma maneira como aconteceu com a Dilma, cabe [permitir] que seja investigado. Vivemos num País onde a democracia impera e nada mais prático do que todos serem, se precisar, se tiver denúncia, investigados", completou Cristiane Yared (PR). 

"Nenhum brasileiro pode estar acima da lei, ainda mais o presidente da República, que é denunciado pelo Procurador-Geral da República por corrupção. Denúncia essa que tem provas robustas, como áudios, vídeos, mala de dinheiro... É vergonhoso a Câmara dos Deputados impedir o Supremo de julgar Michel Temer", disse Zeca Dirceu (PT). 

"As denúncias são graves e devem ser investigadas. Impedir o avanço das investigações e seu devido julgamento seria ampliar perigosamente o abismo entre a sociedade e as instituições", prosseguiu Luciano Ducci (PSB). Segundo Rubens Bueno (PPS), toda e qualquer pessoa deve ser investigada". "Os fatos são gravíssimos. Se o presidente se diz inocente, que mande investigar o caso até o fim. Não vamos julgá-lo. O Congresso não é uma Vara Criminal. Temos de seguir o que manda a Constituição." 

Na avaliação de Enio Verri (PT), sai muito caro para o Brasil essa instabilidade política. O petista acredita que a votação do dia 2 não terá quorum, como pregam os aliados de Temer, e que o fato de o voto ser nominal constrange muito. "Terão que defender um presidente corrupto, ao vivo e em cores. Sem prova nenhuma votaram pelo afastamento da ex-presidente Dilma, e agora terão uma grande contradição." 

GOVERNISTAS 

Na avaliação de Toninho Wandscheer, ex-deputado estadual pelo PT, mas atualmente no Pros, não há necessidade de "criar um problema maior" para o Brasil. "Tem de resolver o problema e não tumultuar mais do que já está. Ainda não temos a declaração do Rodrigo [Rocha Loures, ex-assessor de Temer] de que o dinheiro foi para ele. Então, temos de aguardar. O Ministério Público disse que tem mais duas denúncias. Na hora que ele mandar tudo, a gente dá uma avaliada." 

Nelson Padovani (PSDB) também contou que votará com Temer. "Sou governista e a favor que ele fique no governo. Investigação é problema do Poder Judiciário. Temos que resolver o problema da economia do Brasil. E entendo que ele tem a melhor equipe econômica (...) Olha, nós vamos aí entregar a presidência para o presidente da Câmara por seis meses, marcar nova eleição...? Já passou o tempo. Quanto custa para o País uma eleição precoce? A economia está começando a decolar. Não podemos mexer." 

O tucano garantiu que não recebeu oferta de emendas ou cargos. "Todo paranaense me conhece. Eu não me envolvo, não vivo ou voto por pressão, não peço nada ao presidente, nem nunca pedi. Voto com a minha consciência e fico com ele. Não sou beneficiado em nada. As minhas emendas são aquelas que todos os deputados têm", argumentou Padovani. 

O mesmo asseguraram Dilceu Sperafico (PP), Luiz Nishimori (PR), Takayama (PSC) e Evandro Roman (PSD). Conforme o pepista, os indícios apresentados até o momento não são suficientes. "Não existe comprovação dos crimes de que ele é acusado", afirmou. "É muito risco, faltando um ano e meio", acrescentou Nishimori, alegando ainda temer prejuízos na credibilidade internacional do País. "Vamos deixar o Judiciário julgar (…) Consultei minha base política e acredito que não é o melhor momento de tirar um presidente." 

"Se está ruim com Temer, pior sem ele (…) A economia está melhorando, as reformas precisam ser aprovadas e, como falta um ano para o término do mandato, neste momento o Brasil não aguentaria outro processo de impeachment", avaliou o político do PR. "Não me sinto pressionado porque, nas visitas que tenho feito à base, a maioria das pessoas se diz favorável à manutenção do presidente no cargo e rejeita a volta do PT ao poder", destacou Roman. 

João Arruda (PMDB) disse que, como peemedebista, deve votar contra também, entretanto, relatou que passou os últimos dias conversando com sua base e que poderia mudar de posicionamento. "Ele [Temer] vai responder de qualquer forma. O problema é o afastamento, com a possibilidade de absolvição, e essa instabilidade política que o País vai viver. Se fosse para fazer uma eleição direta amanhã, tudo bem. Essa situação é que na minha cabeça está esquisita ainda." 

O troca-troca de parlamentares na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que garantiu ao presidente Michel Temer (PMDB) uma vitória contra denúncia por corrupção, foi visto pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, como parte do "jogo político". Com 25 movimentações na CCJ desde junho, sendo 14 mudanças apenas em vagas titulares, o Planalto fulminou a denúncia de Janot na Comissão.

(Foto: José Cruz/ Agência Brasil) - 'Jogo político', diz procurador sobre trocas de deputados na CCJ

O procurador está em missão oficial nos Estados Unidos. Em evento na manhã desta segunda-feira, 17, ele afirmou que "esse tipo de manobra, sem fazer juízo de valor sobre ele, é um juízo que ocorre no processo político".

"Se houve ou não obstrução de Justiça, eu não posso dizer agora, está muito prematuro eu dizer. Nós temos que olhar assim. Eu parto do pressuposto que isso faz parte do jogo político. As substituições foram feitas, porque elas poderiam ter sido feitas. Foram feitas. Agora, houve alguma predestinação do interesse público? Não sei, então, não tenho condição de dizer agora se houve obstrução ou se não houve obstrução. O que eu posso dizer é que olhando de cima, olhando de longe, isso faz parte do jogo político. As substituições foram feitas porque eram previstas e era previsível que, para um juízo político, você use os instrumentos políticos para formar o juízo político", afirmou.

A denúncia de Janot precisa do aval da Câmara para ser apreciada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Na CCJ foram 40 votos contra e 25 a favor do parecer do relator Sergio Zveiter (PMDB-RJ), que recomendava a admissibilidade do pedido da Procuradoria-Geral da República.

Os partidos do Centrão - PRB, PTB, PR, PSD, PP, PSC e PROS - garantiram 100% dos votos da bancada contra a denúncia. PHS e PV, que devem ter posicionamento diferente no plenário, também votaram contra o texto de Zveiter. Dos 40 votos favoráveis a Temer, 12 foram garantidos pelos deputados trocados nos últimos dias na comissão.

Além de conseguir derrubar o relatório de Zveiter, o governo conseguiu aprovar um voto separado pela rejeição da denúncia contra o presidente Michel Temer. O relatório de Abi-Ackel (PSDB/MG) foi aprovado por 41 votos a 24. "Trata-se de uma ficção, pois a denúncia (da PGR) não é capaz de responder a questões fundamentais", disse o deputado mineiro.

O único voto divergente entre a primeira votação e a segunda foi do deputado Lelo Coimbra (PMDB-ES), suplente de Zveiter. A escolha de Abi-Ackel como relator expôs a divisão da bancada tucana na Câmara. "Quero registrar que esse parecer não representa os votos de cinco deputados do PSDB", disse Silvio Torres (PSDB-SP).

A ex-presidente Dilma Rousseff (PT) tinha conhecimento dos pagamentos ilícitos feitos para a sua campanha eleitoral em 2014, disseram nesta segunda-feira, 24, o casal de marqueteiros João Santana e Mônica Moura em depoimento sigiloso no Tribunal Regional Eleitoral da Bahia, em Salvador. Segundo o casal de delatores, não foi tratado de assuntos financeiros da campanha com Michel Temer, então candidato a vice. Mônica e Santana foram condenados pelo juiz Sérgio Moro a oito anos e quatro meses de prisão pelos crimes de lavagem de dinheiro no esquema de corrupção na Petrobras.

(Foto: Lula Marques/ Fotos Públicas) - Dilma tinha conhecimento de caixa 2 para campanha de 2014

Santana conversou com a então presidente da República em meados de maio de 2014 sobre os pagamentos que seriam feitos via caixa 2. O atraso nos repasses foi tratado posteriormente por Mônica em encontros com Guido Mantega e Edinho Silva, ex-tesoureiro da campanha.

A presidente também quis saber do casal se era seguro o pagamento feito por meio de uma conta no exterior, de acordo com relatos feitos à reportagem.

O casal, responsável pelas campanhas de Dilma em 2010 e 2014, prestou depoimento ao ministro Herman Benjamin, no âmbito da ação que apura se a chapa de Dilma-Temer cometeu abuso de poder político e econômico para se reeleger. A audiência começou por volta das 9h20, sendo que Mônica foi a primeira a deixar o local, ao meio-dia. Já Santana deixou a sede do TRE um pouco antes das 15h.

De acordo com os depoimentos colhidos, a Odebrecht teria acertado pagar R$ 70 milhões ao casal via caixa 1 e outros R$ 35 milhões por meio de caixa 2. Da parte não contabilizada, os marqueteiros só teriam recebido algo entre R$ 10 milhões e R$ 12 milhões, deixando uma "dívida" na casa de R$ 25 milhões. O restante do pagamento, que seria feito usando uma conta no exterior, teria ficado comprometido com o avanço da Operação Lava Jato.

Delatores

Em depoimento prestado ao TSE no mês passado, o ex-executivo da Odebrecht Hilberto Mascarenhas - que chefiou de 2006 a 2015 o Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, conhecido como departamento da propina da empreiteira - havia dito que todo o contato de pagamento ao casal era feito com Mônica, que estaria entre os "top five" - na lista dos cinco maiores recebedores de dinheiro do setor de propinas.

De acordo com outro delator da empresa, o ex-diretor de Crédito à Exportação da Odebrecht Engenharia e Construção João Nogueira, o empreiteiro Marcelo Odebrecht teria enviado à presidente Dilma Rousseff, por meio do governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), documentos que demonstravam o caixa dois em sua campanha de 2014. Segundo Nogueira, Marcelo viajou a Belo Horizonte em 17 de dezembro de 2014 e lá se encontrou com Pimentel. Naquela ocasião, teria apresentado ao petista o material sobre os repasses ilegais à chapa Dilma-Michel Temer.

O delator explicou que o recado foi levado a Dilma, conforme lhe teria dito o próprio Pimentel numa conversa posterior, também em BH. Dilma teria pedido a Giles Azevedo, um de seus auxiliares mais próximos, para ficar "em cima do tema contribuições".

Em um dos seus depoimentos prestados no âmbito do acordo de colaboração premiada com a Lava Jato, Marcelo assumiu pagamentos de propina para o PMDB e o PT por conta do contrato PAC SMS da diretoria Internacional da Petrobras. Segundo o delator, tanto a ex-presidente da estatal Graça Foster como a ex-presidente foram informadas sobre os pagamentos ilícitos.

Na conversa com Dilma, segundo Marcelo, teria transparecido que a então presidente queria saber se seu vice, Michel Temer, teria recebido valores oriundos do contrato.

Assalto

O ex-assistente do casal André Santana relatou no TSE nesta segunda, 24, a logística dos pagamentos não contabilizados efetuados pela Odebrecht. Responsável por recolher o dinheiro em espécie na maior parte das vezes, André teria sido assaltado ao deixar um hotel de São Paulo após receber um pagamento de R$ 1,5 milhão.

Os depoimentos de Santana, Mônica e André foram pedidos pelo vice-procurador-geral eleitoral, Nicolao Dino.

Relator dos processos da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Edson Fachin homologou no dia 4 deste mês o acordo de colaboração premiada dos três.

Procurada pela reportagem, a defesa do casal informou que reitera o "compromisso de colaborar com a Justiça" e ressaltou que "os depoimentos prestados permanecem em sigilo tendo em vista a determinação do STF".

Defesas

Até a publicação deste texto, a defesa de Dilma Rousseff não havia se pronunciado. No entanto, há duas semanas, a assessoria de Dilma reiterou o teor de nota já divulgada anteriormente, na qual alegava ser mentira que tivesse conhecimento de "quaisquer situações ilegais que pudessem envolver a Odebrecht e seus dirigentes, além dos integrantes do próprio governo ou mesmo daqueles que atuaram na campanha da reeleição".

"Após meses de insinuações, suspeitas infundadas e vazamentos seletivos de acusações feitas indevidamente por dirigentes da Odebrecht, finalmente Dilma Rousseff terá acesso a íntegra das declarações. Não conseguirão atingir a sua honra e a sua vida pública, porque tais acusações são mentirosas", dizia o comunicado.

Em nota, o advogado Eugênio Pacelli, que defende o governador de Minas, afirmou que, sobre esses fatos, "parece muito fácil demonstrar que o delator nada diz de concreto". "Afirma ter mandado recado à ex-presidente, recado esse que seria a comprovação de que ele poderia se transformar em um delator, se algo não fosse feito. Pela lógica dele, nada se fez. Transformou-se em um. Melhor: no principal delator", diz a nota.

"O governador Fernando Pimentel esclarece que sempre teve consciência da impossibilidade de qualquer interferência política na condução da Lava Jato. E foi esse o seu comportamento desde sempre. Tanto o juiz Sérgio Moro, quanto os membros do Ministério Público Federal são constitucionalmente independentes e não podem sofrer qualquer tipo de influência em seus atos. Jamais relataram algo nesse sentido em relação ao governador", completa. O advogado também diz que é importante ressaltar que também não houve iniciativa legislativa da ex-presidente para qualquer fim contrário às investigações. "Precisamos de mais fatos e menos boatos!", finaliza.

Na contramão do discurso das lideranças governistas e da equipe econômica, o presidente Michel Temer minimizou, nesta quinta-feira (11), o risco de o Congresso Nacional não aprovar a reforma da Previdência. "Não é bom para o Brasil. Agora não é um desastre definitivo porque teremos outros meios", disse o presidente, em entrevista ao jornalista José Luiz Datena, da TV Bandeirantes.

(Foto: Reprodução) - Previdência: 'não é um desastre", diz Temer sobre eventual derrota

Apesar de ter dito que está confiante de que terá os votos necessários para aprovar a proposta, ele admitiu que poderá ser necessário aumentar impostos para bancar a elevação das despesas públicas se a mudança das regras para a concessão de aposentadorias e pensões não passar no Congresso. Temer classificou de absurdas as alegações de que o Brasil acabaria com a derrota da reforma da Previdência.

"Não é verdadeiro. Isso é um, com a devida licença, um absurdo. Você vai ter muitas dificuldades. Se a reforma não passar, você vai me perguntar: 'Será preciso criar imposto?' Eu não sei, mas de repente se faz necessário, mas o Brasil não vai parar por causa disso", respondeu o presidente.

Até agora a estratégia do governo para angariar os votos da reforma tinha sido alertar sobre as consequências negativas do impacto da manutenção das regras atuais. Isso incluiria alta de juros, inflação, desemprego e falta de dinheiro para fechar as contas públicas. "Evidentemente, quando falo na reformulação da Previdência, é para resolver as contas públicas de agora e do futuro, para garantir a aposentadoria e os programas sociais", afirmou. "Agora, não para o País não se a reforma não for aprovada", enfatizou Temer.

Apesar de ter dito que não haverá desastre sem a reforma, o presidente fez questão de afirmar que a sua não aprovação vai afetar os programas sociais do governo. Ele citou o Bolsa Família, o Programa Minha Casa Minha Vida e o financiamento estudantil (Fies). "Corre o risco logo ali adiante. Não é daqui a 10 anos. Vai afetar agora", ponderou.

Para Temer, o texto da reforma da Previdência está num "ponto ideal". Mas acrescentou que é obediente ao "que o Congresso fizer". Ele rejeitou a avaliação de que os parlamentares estão fazendo "chantagem" para dar o voto favorável e disse que se trata de um processo de indicações para cargos no governo feitas por parlamentares. "Não é exatamente chantagem. O que há é uma participação do Legislativo, que ajuda a governar", disse.

O presidente afirmou que todos os partidos da base aliada estão fazendo um movimento natural de fechamento de questão - quando os partid'os orientam os deputados e senadores a votarem de uma determinada forma. Os que desobedecem podem ser punidos pela legenda, com a expulsão, inclusive. O fechamento de questão conjunto tem sido costurado pelo presidente porque muitos partidos cobraram que o PMDB, partido do presidente, seja o primeiro a seguir este caminho.

"Nós chegaremos lá com toda a tranquilidade", afirmou. Ao falar sobre o teto de gasto (mecanismo de controle de despesas aprovado durante o seu governo), o presidente acabou se confundindo ao afirmar que o déficit das contas públicas em 2016 foi de R$ 170 bilhões, valor maior do que o déficit de R$ 154 bilhões efetivamente registrado. Temer também se confundiu com algumas regras da proposta para a Previdência e procurou mostrar que aprovar a reforma não vai tirar votos dos deputados nas próximas eleições.

Ele lembrou que depois que foi relator da proposta de reforma da Previdência, nos anos 1990, ganhou mais votos na eleição seguinte do que na pleito anterior. Sobre a reaproximação com o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), que estava frontalmente contra as reformas, o presidente disse que "seguramente" o senador está favorável agora, apesar de insistir em algumas mudanças.

"Se quiser chamar de acordo (com Renan) pode chamar, nas não foi um acordo formal e todos concordamos em votar o mais rapidamente a reforma trabalhista", disse. Os deputados condicionam a votação da reforma da Previdência na Câmara à tramitação do projeto que muda as regras trabalhistas no Senado. Eles dizem que é preciso repartir o "ônus" da votação de medidas impopulares com os senadores.

            

Em interrogatório na Justiça Federal, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que, apesar do volume de notícias de cunho negativo a seu respeito, seu desempenho em sondagens eleitorais continuará incomodando opositores. "Vou matar eles de raiva, porque em todas as pesquisas vou aparecer na frente", declarou.

A afirmação de Lula foi feita nesta terça-feira, 14, durante depoimento prestado como réu em ação penal na qual é acusado de ser o mandante de uma operação para viabilizar pagamentos ao ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró e evitar que ele firmasse um acordo de delação premiada com a Lava Jato. A suposta participação de Lula no esquema foi descrita pelo ex-senador Delcídio Amaral (sem partido, ex-PT-MS) em colaboração fechada com o Ministério Público Federal (MPF) depois de ser preso.

O depoimento de Lula durou cerca de 45 minutos. O ex-presidente dedicou boa parte de seu discurso a exaltar realizações de seu governo e a reclamar da imprensa. Citou conquistas sociais e reiterou que os órgãos de investigação tiveram mais estrutura e autonomia durante os seus oito anos de mandatos. Em alguns momentos, Lula falou em tom de desabafo.

A ex-presidente Dilma Rousseff afirmou na noite desta sexta-feira, 27, que o "golpe ainda não acabou". "O segundo golpe que esse País pode sofrer é que impeçam Lula de ser candidato (em 2018)", disse a petista durante a abertura do 2º Encontro Nacional de Mulheres Eleitas pelo PT, em Brasília. Dilma participou de uma mesa redonda sobre o papel da mulher na política.

Para Dilma, há apenas duas hipóteses que fariam o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não disputar as próximas eleições: uma seria não haver eleição direta e a outra seria a condenação na Justiça. "Seja por que método for, nós, mulheres, temos que nos preparar. O golpe ainda não acabou", afirmou a ex-presidente. Ela lembrou que Lula liderou as intenções de voto em todos os cenários na última pesquisa CNT/MDA.

A ex-presidente disse ainda que a Operação Lava Jato é uma "operação excepcional" e, por conta disso, alguns consideram que possui "regras excepcionais", que muitas vezes vão contra a Constituição. "Usam justiça do inimigo para cima do Lula. Ao invés de ser julgado, ele é considerado inimigo, então tem que ser destruído", declarou. Lula é réu em cinco inquéritos na Justiça, três deles no âmbito da Operação Lava Jato.

Dilma foi ovacionada pela plateia, formada por prefeitas, vice-prefeitas e vereadoras eleitas pelo partido em 2016. Ela também fez duras críticas ao governo do presidente Michel Temer. "Temos que olhar e tentar impedir retrocessos", pediu às correligionárias. A petista, que discursou durante cerca de 45 minutos, criticou as principais reformas do governo, como a previdenciária e trabalhista, ambas em tramitação no Congresso.

Ela também criticou a aprovação da Proposta de Emenda Constituição (PEC) que estabelece um limite para os gastos públicos, no ano passado. Segundo Dilma, congelar os gastos públicos por vinte anos é uma medida "eminentemente neoliberal que faz o absurdo do ponto de vista democrático, pois fere o direito fundamental do direito ao voto direto para a eleição presidencial".

"Se eu tiro das pessoas o direito de decidir onde vão achar que deve ser gasto o dinheiro por cinco eleições presidenciais, eu tiro o sentido de uma eleição (...) Em uma eleição a gente escolhe aquilo que achamos que deve ser prioridade do gasto. Se, em uma tacada só, acaba-se com cinco eleições, não é só um ataque do neoliberalismo, é um ataque que leva à redução dos processos democráticos", discursou.

Dilma avaliou que "a razão profunda do impeachment é enquadrar o País econômica, social e geopoliticamente". Ela considera que o seu pedido de afastamento foi uma reação dos neoliberais às políticas sociais que vinham sendo implantadas pelo governo petista nos últimos 13 anos. "O golpe tinha por objetivo desregular tudo, deixar o mercado mandar em tudo e tirar os pobres de dentro do orçamento, daí a emenda da PEC do teto de gastos."

Para combater o que classificou como retrocessos do governo atual, Dilma disse que a "única grande arma é a democracia". "Nós estamos diante de um processo onde não tem como fazer acordo por cima hoje no Brasil. É necessário acordo por baixo, a eleição", continuou. Ela afirmou que o governo petista "não fez tudo", mas "mostrou que é possível fazer, mostrou um caminho" para combater a desigualdade social.

Na mesa redonda, também estavam a ex-ministra Eleonora Menicucci, a líder do PT no Senado, Gleisi Hoffmann (PR), e as deputadas Maria do Rosário (RS) e Benedita da Silva (RJ). Na plateia, estava presente outra ex-ministra de Dilma, Tereza Campello. No início do discurso, Dilma elogiou as participantes, que chamou de "excepcionais". Ela disse que tem "orgulho" da participação das mulheres no combate ao impeachment.

"Eu quero dizer que as mulheres não só tiveram papel de vanguarda, mas foram e constituíram a grande parcela que teve posição clara, firme e massiva em muitos dos atos que tiveram em todo Brasil (contra o impeachment). Eu agradeço o acolhimento", declarou. Ela disse que com a participação das mulheres em seu governo ficou "evidenciado que as mulheres podem exercer os mais diferentes cargos".

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