NOTÍCIAS DO PARANÁ
Pedágio: “Preço justo é licitação pela menor tarifa”, diz Romanelli
Faltando seis meses para o término dos atuais contratos de concessão das rodovias com pedágio no Paraná, a Assembleia Legislativa continua o embate com o governo federal para prevalecer um modelo de licitação que seja vantajoso para os usuários. Em entrevista ao Paraná Portal, o deputado Luiz Claudio Romanelli diz que o Estado não vai abrir mão da menor tarifa.
Os contratos assinados em 1997 encerram em novembro. O governo federal, por meio do Ministério da Infraestrutura e da ANTT (Agência Nacional dos Transportes Terrestres), promove um leilão para os próximos 30 anos de concessão. No entanto, ainda não há um consenso sobre o modelo de licitação.
“Tem sido desafiador entender qual é a lógica do governo federal para manter uma proposta que abre mão do menor custo de tarifa, sem limite de desconto, e ao mesmo tempo propor um modelo híbrido”, avalia o deputado. “O que nós queremos é preço justo. E preço justo é licitação pela menor tarifa”.
O modelo híbrido combina dois fatores para determinar a empresa vencedora do processo licitatório: o menor preço relativo (respeitado o limite máximo de desconto, que no caso dos pedágios do Paraná é de 17,5%) e o maior valor da taxa de outorga, o único critério de desempate.
Priorizando a taxa de outorga, que se trata de um valor desembolsado pelas empresas para operar serviços públicos, a cobrança acaba funcionado como um imposto. “Na prática é dinheiro que sai do bolso do contribuinte paranaense para o bolso da União”, rebate Romanelli.
PEDÁGIO X CUSTO PARANÁ
Em entrevista ao Paraná Portal, o 1º secretário da Assembleia Legislativa do Paraná diz que não vê riscos em adotar o modelo de menor preço do pedágio. Para ele, o pior cenário seria manter o quadro atual.
“Aqui no Paraná temos as concessionárias que cobram as tarifas mais elevadas de pedágio do Brasil, talvez uma das maiores do mundo, e as empresas não entregaram as obras. Não é verdadeiro que altas taxas de lucro garantam melhorias na estrutura”, ponderou.
Luiz Claudio Romanelli também se posicionou de forma contrária ao “navegágio”, que é a proposta de cobrar pedágios para navios que transito pelo Canal da Galheta para acessarem os portos de Paranaguá e Antonina.
“A Administração dos Portos, que é a nossa empresa pública, já cobra essa taxa e o sistema de dragagem funciona muito bem. O acesso ao porto é público, e transferir a responsabilidade para a iniciativa privada é um assunto muito complexo. Não me parece uma boa alternativa, não vejo razão”, disse Romanelli, acrescentando que a operação do Porto de Paranaguá é superavitário e funciona da forma esperada.
ELEIÇÕES 2022
Questionado sobre as Eleições 2022 e sobre pretensões em disputar ou compor uma chapa para o Governo do Paraná, Luiz Claudio Romanelli disse que conversa com o PSB sobre os próximos passos do partido.
“A vida é feita de desafios. Vamos ver como as coisas caminham, e daqui um ano teremos um cenário melhor sobre o quadro de 2022. Até lá, temos que focar muito nos temas essenciais, e o maior tema desta legislatura é a questão dos pedágios”, concluiu o deputado, lembrando que a pandemia do coronavírus também é motivo constante de preocupação, pelo menos, até o primeiro semestre do ano que vem.
NOTÍCIAS DO PARANÁ
Alep discute importância e proteção do Rio Iguaçu
“Salve o Rio Iguaçu: Caminhos para sua Proteção e Reconhecimento”. Este foi o tema da audiência pública realizada na manhã desta terça-feira (30), na Assembleia Legislativa que reuniu especialistas de diversas áreas que estudam a influência do rio, que nasce no manancial da serra do mar, em Piraquara, região metropolitana de Curitiba e percorre centenas de quilômetros até desembocar no Rio Paraná, em Foz do Iguaçu. A proposta do encontro foi do deputado pedetista Goura.

“Queremos chamar a atenção do olhar público para o rio Iguaçu, já que mais de 5 milhões de pessoas vivem em sua bacia, onde existem reservatórios, barragens e inúmeros problemas sociais e ambientais provocados pela falta de atenção do poder público em relação à saúde ecológica do Rio Iguaçu. Por isso, reunimos especialistas, ativistas e pessoas que estudam o equilíbrio ecológico do rio, para trazer esse diagnóstico e buscarmos juntos as soluções tão necessárias para esses problemas”, afirma o deputado, que estende suas preocupações aos demais rios que banham o estado.
“Estamos vivendo um momento de crise climática e precisamos ter um olhar mais cuidadoso com os nossos rios — falando aqui de todos os rios do Paraná: o Ivaí, o Piquiri, o Paranapanema, o Paraná e, obviamente, o Iguaçu, pela sua importância na relação com as pessoas e na sua relação histórica. Hoje é um dia para celebrarmos o Iguaçu, mas também para juntarmos forças em prol de sua preservação”, conclui.
A necessidade de uma legislação atualizada sobre o tema foi destacada pelo deputado Requião Filho (PDT) na abertura da audiência: “Temos o costume de legislar sobre diversos problemas sem consultar os especialistas no assunto, mas estamos tentando reverter isso, e o Goura felizmente faz isso em relação ao meio ambiente, trazendo as universidades e o conhecimento científico — um cuidado que devemos ter aqui na Casa. Estamos em um ponto de desenvolvimento social em que é possível unir a ciência à legislação, juntando conhecimento e vontade política. O Rio Iguaçu pode ser uma metáfora para todo o meio ambiente: se não tomarmos cuidado com nossos rios e com o meio ambiente, significa que não estamos cuidando do nosso estado”.
Direitos do rio
Uma das novidades apresentadas na audiência foi o conceito dos direitos da natureza. A tese, que reconhece um rio, por exemplo, como um “sujeito de direitos”, foi apresentada pela advogada ambientalista Maudi Nancy Joslin-Motta, especializada em gestão e criação de áreas naturais protegidas.
“A proposta que trazemos para o Rio Iguaçu é relativamente nova em termos de direito — um passo à frente do direito ambiental: os direitos da natureza. Nossa proposta é o reconhecimento do Rio Iguaçu como sujeito de direitos, e não como objeto. Os elementos da natureza tendem a ser considerados objetos, mas, como sujeitos de direitos, eles têm alguém para falar por eles. Esse alguém, neste caso, é uma comissão de guardiões e guardiãs do rio, escolhidos entre as pessoas que têm alguma relação com ele, seja o povo ribeirinho, os povos originários, a indústria que capta água para sua atividade, os consumidores, os agricultores ou, enfim, toda a população que depende do Rio Iguaçu”, explica, lembrando que o Rio Iguaçu e seus afluentes respondem por 81% da água consumida no estado do Paraná.
Entre esses guardiões, a advogada destaca os povos originários, que têm um longo histórico de respeito e cuidado com os rios e demais elementos naturais. Indígena do povo Kaingang, a escritora e cineasta Vanessa Fê Há afirma que o Iguaçu não é importante apenas para os povos originários, mas para todos os paranaenses.
“É muito importante que os povos indígenas estejam aqui para falar sobre como é esse contato que temos com o Rio Iguaçu e como ele afeta diretamente as nossas vidas — e sua importância não apenas para os povos indígenas, mas para o estado inteiro, porque a água é vida e a água nos dá vida. É muito importante que o rio faça parte da nossa vida, que esteja em nosso dia a dia e que o tratemos como parte de nós. Temos que pensar no rio, na floresta, como seres vivos, como algo que faz parte do nosso cotidiano. Muitos povos indígenas dizem que somos a própria natureza. Então, se somos a própria natureza, somos a árvore, somos a terra, somos o rio. E esse rio também é o Rio Iguaçu”.
Ao longo da audiência, diversos pesquisadores apresentaram dados alarmantes sobre a degradação do rio em todo o seu curso e apontaram medidas cabíveis para solucionar esse problema. Participaram do evento o pró-reitor de Pesquisa e Inovação da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Ciro Alberto de Oliveira Ribeiro; Marcus Tesserolli, prefeito de Piraquara; José Ulisses dos Santos, chefe do Parque Nacional do Iguaçu; Yara Barros, coordenadora do Projeto Onças do Iguaçu; José Álvaro Carneiro, diretor-corporativo do Hospital Pequeno Príncipe; Katya Isaguirre-Torres, coordenadora do Ekoa – Núcleo de Pesquisa e Extensão em Direito Socioambiental da UFPR; e Eduardo Fenianos, pesquisador, escritor e idealizador do Projeto Urbenauta.
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