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COMISSÃO DO MEIO AMBIENTE VAI PROMOVER AGENDA PARA INCENTIVAR A CRIAÇÃO DE UNIDADES DE CONSERVAÇÃO PARTICULARES NO PARANÁ

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A Comissão de Ecologia, Meio Ambiente e Proteção aos Animais da Assembleia Legislativa do Paraná quer intensificar as ações que promovam a criação de novas unidades de conservação particulares por iniciativa de empresas e pessoas físicas. Para isso, reuniu-se com representantes da Associação dos Protetores de Áreas Verdes de Curitiba e Região Metropolitana (Apave) e da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS) para definir um plano de ação e uma agenda. “Queremos juntar esforços para o fortalecimento das políticas de conservação de áreas naturais em Curitiba, na Região Metropolitana e em todo o Paraná. E vamos promover uma agenda neste sentido até o final desta legislatura”, disse o presidente da Comissão, deputado Goura (PDT).

Segundo ele, o objetivo é promover ações para que mais reservas particulares, chamadas de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), sejam implantadas. “Essas novas unidades vão colaborar na preservação da água e da biodiversidade, além de fomentar a cultura da conservação”, comentou Goura.

Durante a reunião, foram sugeridas a realização de um compilado sobre a legislação referente aos impostos, como o ICMS Ecológico, a Certificação Life, políticas de incentivo à criação de RPPNs, ferramentas de gestão, entre outros temas. Também ficou combinado a construção de um evento para uma apresentação sobre as vantagens de criação de RPPNs por empresas privadas. “Nossa ideia seria promover junto à Federação das Indústrias do Paraná (FIEP) uma reunião com representantes das maiores empresas do Paraná para falar sobre a criação de áreas de preservação particulares”, disse Goura.

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“No mesmo sentido faríamos reuniões com a participação da Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (COMEC) e de prefeituras da Região Metropolitana de Curitiba para tratar da criação de novas RPPNs”. Outra reunião proposta foi com secretário da Agricultura e Abastecimento do Paraná, Norberto Ortigara, para levar a mesma proposta aos produtores rurais do estado.

Participaram da reunião pela Terezinha Vareschi, Angelo Simão e Daniele Gidsicki (Apave) e Nicholas Kaminski e Rafael Meirelles Sezerban (SPVS).

 

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Alep discute importância e proteção do Rio Iguaçu

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“Salve o Rio Iguaçu: Caminhos para sua Proteção e Reconhecimento”. Este foi o tema da audiência pública realizada na manhã desta terça-feira (30), na Assembleia Legislativa que reuniu especialistas de diversas áreas que estudam a influência do rio, que nasce no manancial da serra do mar, em Piraquara, região metropolitana de Curitiba e percorre centenas de quilômetros até desembocar no Rio Paraná, em Foz do Iguaçu. A proposta do encontro foi do deputado pedetista Goura.

“Queremos chamar a atenção do olhar público para o rio Iguaçu, já que mais de 5 milhões de pessoas vivem em sua bacia, onde existem reservatórios, barragens e inúmeros problemas sociais e ambientais provocados pela falta de atenção do poder público em relação à saúde ecológica do Rio Iguaçu. Por isso, reunimos especialistas, ativistas e pessoas que estudam o equilíbrio ecológico do rio, para trazer esse diagnóstico e buscarmos juntos as soluções tão necessárias para esses problemas”, afirma o deputado, que estende suas preocupações aos demais rios que banham o estado.

“Estamos vivendo um momento de crise climática e precisamos ter um olhar mais cuidadoso com os nossos rios — falando aqui de todos os rios do Paraná: o Ivaí, o Piquiri, o Paranapanema, o Paraná e, obviamente, o Iguaçu, pela sua importância na relação com as pessoas e na sua relação histórica. Hoje é um dia para celebrarmos o Iguaçu, mas também para juntarmos forças em prol de sua preservação”, conclui.

A necessidade de uma legislação atualizada sobre o tema foi destacada pelo deputado Requião Filho (PDT) na abertura da audiência: “Temos o costume de legislar sobre diversos problemas sem consultar os especialistas no assunto, mas estamos tentando reverter isso, e o Goura felizmente faz isso em relação ao meio ambiente, trazendo as universidades e o conhecimento científico — um cuidado que devemos ter aqui na Casa. Estamos em um ponto de desenvolvimento social em que é possível unir a ciência à legislação, juntando conhecimento e vontade política. O Rio Iguaçu pode ser uma metáfora para todo o meio ambiente: se não tomarmos cuidado com nossos rios e com o meio ambiente, significa que não estamos cuidando do nosso estado”.

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Direitos do rio

Uma das novidades apresentadas na audiência foi o conceito dos direitos da natureza. A tese, que reconhece um rio, por exemplo, como um “sujeito de direitos”, foi apresentada pela advogada ambientalista Maudi Nancy Joslin-Motta, especializada em gestão e criação de áreas naturais protegidas.

“A proposta que trazemos para o Rio Iguaçu é relativamente nova em termos de direito — um passo à frente do direito ambiental: os direitos da natureza. Nossa proposta é o reconhecimento do Rio Iguaçu como sujeito de direitos, e não como objeto. Os elementos da natureza tendem a ser considerados objetos, mas, como sujeitos de direitos, eles têm alguém para falar por eles. Esse alguém, neste caso, é uma comissão de guardiões e guardiãs do rio, escolhidos entre as pessoas que têm alguma relação com ele, seja o povo ribeirinho, os povos originários, a indústria que capta água para sua atividade, os consumidores, os agricultores ou, enfim, toda a população que depende do Rio Iguaçu”, explica, lembrando que o Rio Iguaçu e seus afluentes respondem por 81% da água consumida no estado do Paraná.

Entre esses guardiões, a advogada destaca os povos originários, que têm um longo histórico de respeito e cuidado com os rios e demais elementos naturais. Indígena do povo Kaingang, a escritora e cineasta Vanessa Fê Há afirma que o Iguaçu não é importante apenas para os povos originários, mas para todos os paranaenses.

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“É muito importante que os povos indígenas estejam aqui para falar sobre como é esse contato que temos com o Rio Iguaçu e como ele afeta diretamente as nossas vidas — e sua importância não apenas para os povos indígenas, mas para o estado inteiro, porque a água é vida e a água nos dá vida. É muito importante que o rio faça parte da nossa vida, que esteja em nosso dia a dia e que o tratemos como parte de nós. Temos que pensar no rio, na floresta, como seres vivos, como algo que faz parte do nosso cotidiano. Muitos povos indígenas dizem que somos a própria natureza. Então, se somos a própria natureza, somos a árvore, somos a terra, somos o rio. E esse rio também é o Rio Iguaçu”.

Ao longo da audiência, diversos pesquisadores apresentaram dados alarmantes sobre a degradação do rio em todo o seu curso e apontaram medidas cabíveis para solucionar esse problema. Participaram do evento o pró-reitor de Pesquisa e Inovação da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Ciro Alberto de Oliveira Ribeiro; Marcus Tesserolli, prefeito de Piraquara; José Ulisses dos Santos, chefe do Parque Nacional do Iguaçu; Yara Barros, coordenadora do Projeto Onças do Iguaçu; José Álvaro Carneiro, diretor-corporativo do Hospital Pequeno Príncipe; Katya Isaguirre-Torres, coordenadora do Ekoa – Núcleo de Pesquisa e Extensão em Direito Socioambiental da UFPR; e Eduardo Fenianos, pesquisador, escritor e idealizador do Projeto Urbenauta.

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