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Gripe e Covid crescem com frio fora de época e relaxamento de medidas; saiba diferenciar

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A pandemia da Covid, embora ainda seja responsável por cerca de cem mortes por dia, parece estar cada vez mais próxima dos seus dias finais. O convívio com o coronavírus, ao que tudo indica, está perto de uma situação de equilíbrio, quando o número de novos casos se aproxima do patamar conhecido para outros vírus respiratórios, como gripe e vírus sincicial respiratório (VSR). Isso não significa, no entanto, que já estamos completamente livres do vírus.

Segundo especialistas ouvidos pela reportagem, a nova onda de resfriados e gripes é causada em grande parte por influenza A H3N2 (vírus da gripe), que apresentou um período de sazonalidade diferente neste ano, em consequência da própria pandemia da Covid.

Nesse cenário, os sintomas de gripe e Covid podem se confundir, especialmente nas pessoas que já receberam o esquema vacinal completo -hoje, considerado como três doses primárias de qualquer um dos imunizantes com duas doses ou duas doses da Janssen seguidas de reforço.

COMO DIFERENCIAR OS SINTOMAS DE GRIPE E COVID?

 

Segundo os especialistas, a diferenciação dos sintomas de gripe e Covid não é clara, especialmente em pessoas vacinadas. Em geral, os sintomas mais comuns da infecção pela variante ômicron do coronavírus são dor de garganta, dor de cabeça, coriza e fadiga (cansaço). Outros sintomas que podem aparecer são espirros, tosse, febre, dores no corpo e perda de olfato ou paladar, embora este último não seja mais tão comum quanto com as outras variantes do coronavírus.

Para Kfouri, os sintomas de gripe e Covid em pessoas vacinadas com pelo menos três doses são quase indistinguíveis. “Pode até ser que a influenza dê mais febre alta, chega com um mal-estar mais forte já no primeiro dia, enquanto a Covid demora de 1 a 3 dias para manifestar os sintomas, pode dar mais dor de garganta, perda de olfato. Mas a única maneira de diferenciar é com teste”, explica.

Segundo o infectologista e diretor médico do Grupo Fleury, Celso Granato, a alta circulação do vírus influenza neste momento, especialmente em São Paulo, é refletida também nos exames laboratoriais. “Há duas, três semanas, quando ainda era o período do inverno, eram notificados dois, três casos de gripe por semana. Agora, na semana que passou, foram 1.480 casos, e na semana anterior, 1.577, ou seja, uma explosão”, explica.

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Para ele, a maior circulação do vírus da gripe pode indicar que a probabilidade de uma infecção hoje ser por influenza é maior do que pelo coronavírus, cuja positividade dos testes está em torno de 1,5% a 2%. “Mas ainda temos casos, embora muito menos do que no início do ano.”

Para Raquel Stucchi, professora da Unicamp e membro da Sociedade Brasileira de Infectologia de São Paulo (SBI-SP), em um cenário ideal teria exame para influenza também na rede pública, mas a oferta é muito escassa. “Fazer o teste quando apresenta sintomas gripais para descartar ou não se é Covid é o primeiro passo”, diz.

ESTOU VACINADO COM TRÊS OU QUATRO DOSES PARA COVID. POSSO ME INFECTAR PELA ÔMICRON?

 

Granato, do Fleury, afirma que no caso das pessoas vacinadas com três ou mais doses, a infecção pela ômicron ainda pode ocorrer, especialmente porque as vacinas usadas até agora apresentam maior proteção para quadros moderados a graves, mas menor eficácia para impedir a entrada do vírus.

Já Kfouri explica que as vacinas que foram utilizadas em grande parte do mundo e no Brasil ainda mantêm proteção elevada contra os casos graves e moderados da Covid, mesmo com a ômicron, em torno de 80% a 90%, dependendo do imunizante. “Mas o que os estudos vêm nos mostrando é que após seis meses a proteção contra infecção é bem menor, em torno de 15% a 18%, e por isso as pessoas ainda podem se infectar com o vírus”, diz.

POR QUE O VÍRUS DA GRIPE ESTÁ CIRCULANDO MAIS AGORA?

 

Segundo Kfouri, a pandemia da Covid levou a uma mudança na chamada sazonalidade de todos os vírus respiratórios, incluindo influenza. Essa mudança pode ter sido em parte por as próprias medidas protetoras contra Covid terem barrado a circulação desses outros vírus nos dois primeiros anos da pandemia e também porque as chamadas imunidades coletivas acabaram atingidas -normalmente, o convívio com outras crianças leva tanto a novas infecções por vírus respiratórios como gera a chamada “imunidade de rebanho”.

Por causa disso, os vírus passaram a circular com maior intensidade em períodos que não eram conhecidos em outros anos, como a epidemia de gripe que ocorreu em dezembro de 2021, em todo o país, e os novos surtos no final do inverno e início da primavera, período também de retorno às aulas presenciais, em São Paulo.

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DEVO USAR MÁSCARA PARA EVITAR A INFECÇÃO?

 

A avaliação de risco hoje, com a retirada das medidas de proteção de saúde pública, torna-se individual, dizem os especialistas.

Stucchi afirma que a retirada das medidas foi justificada pelo momento epidemiológico mais favorável, mas que ainda assim o uso máscaras em espaços fechados continua recomendável em determinadas situações. “Algumas pessoas que possuem doenças de base [como doenças cardíacas, pulmonares, diabetes, hipertensão, etc.] podem ter um quadro agravado por uma infecção viral mesmo vacinadas. Então nessas pessoas o uso das máscaras pode ser considerado a partir do risco de a infecção causar o que a gente chama de descompensação da doença de base”, diz.

O uso de máscaras continua sendo uma barreira protetora para qualquer vírus respiratório, avalia Granato. “Para uma pessoa com maior risco, uma infecção gripal também não é algo positivo, pode evoluir para quadro grave, então essas pessoas podem continuar o uso de máscara se forem a algum supermercado lotado, utilizar o transporte público ou então estar em um local de alto risco, independente do vírus em circulação no momento”, diz.

TOMEI A VACINA DA GRIPE NO INÍCIO DO ANO. ESTOU PROTEGIDO DA NOVA CEPA?

 

Segundo Kfouri, a proteção da vacina contra gripe é em torno de 40% e dura cerca de seis meses. Dessa forma, as pessoas que receberam o imunizante no começo do ano, após a epidemia do final de 2021, devem estar com uma proteção reduzida. “Ainda não é possível saber se a cepa que está em circulação agora ou a que será dominante na própria estação é a mesma da vacina que foi aplicada. Por isso, o melhor agora é aguardar e, nas pessoas com maior risco, manter alguns cuidados para evitar a infecção”, diz.

COMO PROTEGER OUTRAS PESSOAS SE ESTIVER GRIPADO OU RESFRIADO?

 

Para Stucchi, o passo a passo caso apresente sinais de síndrome respiratória é primeiro, utilizar máscara para evitar a transmissão para outras pessoas; na sequência, o diagnóstico para confirmar ou descartar a infecção por coronavírus ou por outros vírus são passos importantes.

A infectologista reforça também que as faixas etárias dos dois extremos, isto é, tanto as crianças quanto os mais velhos, possuem maior risco de desenvolver quadro grave de gripe ou Covid, e que nelas a cobertura vacinal está abaixo do ideal.

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Alep discute importância e proteção do Rio Iguaçu

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“Salve o Rio Iguaçu: Caminhos para sua Proteção e Reconhecimento”. Este foi o tema da audiência pública realizada na manhã desta terça-feira (30), na Assembleia Legislativa que reuniu especialistas de diversas áreas que estudam a influência do rio, que nasce no manancial da serra do mar, em Piraquara, região metropolitana de Curitiba e percorre centenas de quilômetros até desembocar no Rio Paraná, em Foz do Iguaçu. A proposta do encontro foi do deputado pedetista Goura.

“Queremos chamar a atenção do olhar público para o rio Iguaçu, já que mais de 5 milhões de pessoas vivem em sua bacia, onde existem reservatórios, barragens e inúmeros problemas sociais e ambientais provocados pela falta de atenção do poder público em relação à saúde ecológica do Rio Iguaçu. Por isso, reunimos especialistas, ativistas e pessoas que estudam o equilíbrio ecológico do rio, para trazer esse diagnóstico e buscarmos juntos as soluções tão necessárias para esses problemas”, afirma o deputado, que estende suas preocupações aos demais rios que banham o estado.

“Estamos vivendo um momento de crise climática e precisamos ter um olhar mais cuidadoso com os nossos rios — falando aqui de todos os rios do Paraná: o Ivaí, o Piquiri, o Paranapanema, o Paraná e, obviamente, o Iguaçu, pela sua importância na relação com as pessoas e na sua relação histórica. Hoje é um dia para celebrarmos o Iguaçu, mas também para juntarmos forças em prol de sua preservação”, conclui.

A necessidade de uma legislação atualizada sobre o tema foi destacada pelo deputado Requião Filho (PDT) na abertura da audiência: “Temos o costume de legislar sobre diversos problemas sem consultar os especialistas no assunto, mas estamos tentando reverter isso, e o Goura felizmente faz isso em relação ao meio ambiente, trazendo as universidades e o conhecimento científico — um cuidado que devemos ter aqui na Casa. Estamos em um ponto de desenvolvimento social em que é possível unir a ciência à legislação, juntando conhecimento e vontade política. O Rio Iguaçu pode ser uma metáfora para todo o meio ambiente: se não tomarmos cuidado com nossos rios e com o meio ambiente, significa que não estamos cuidando do nosso estado”.

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Direitos do rio

Uma das novidades apresentadas na audiência foi o conceito dos direitos da natureza. A tese, que reconhece um rio, por exemplo, como um “sujeito de direitos”, foi apresentada pela advogada ambientalista Maudi Nancy Joslin-Motta, especializada em gestão e criação de áreas naturais protegidas.

“A proposta que trazemos para o Rio Iguaçu é relativamente nova em termos de direito — um passo à frente do direito ambiental: os direitos da natureza. Nossa proposta é o reconhecimento do Rio Iguaçu como sujeito de direitos, e não como objeto. Os elementos da natureza tendem a ser considerados objetos, mas, como sujeitos de direitos, eles têm alguém para falar por eles. Esse alguém, neste caso, é uma comissão de guardiões e guardiãs do rio, escolhidos entre as pessoas que têm alguma relação com ele, seja o povo ribeirinho, os povos originários, a indústria que capta água para sua atividade, os consumidores, os agricultores ou, enfim, toda a população que depende do Rio Iguaçu”, explica, lembrando que o Rio Iguaçu e seus afluentes respondem por 81% da água consumida no estado do Paraná.

Entre esses guardiões, a advogada destaca os povos originários, que têm um longo histórico de respeito e cuidado com os rios e demais elementos naturais. Indígena do povo Kaingang, a escritora e cineasta Vanessa Fê Há afirma que o Iguaçu não é importante apenas para os povos originários, mas para todos os paranaenses.

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“É muito importante que os povos indígenas estejam aqui para falar sobre como é esse contato que temos com o Rio Iguaçu e como ele afeta diretamente as nossas vidas — e sua importância não apenas para os povos indígenas, mas para o estado inteiro, porque a água é vida e a água nos dá vida. É muito importante que o rio faça parte da nossa vida, que esteja em nosso dia a dia e que o tratemos como parte de nós. Temos que pensar no rio, na floresta, como seres vivos, como algo que faz parte do nosso cotidiano. Muitos povos indígenas dizem que somos a própria natureza. Então, se somos a própria natureza, somos a árvore, somos a terra, somos o rio. E esse rio também é o Rio Iguaçu”.

Ao longo da audiência, diversos pesquisadores apresentaram dados alarmantes sobre a degradação do rio em todo o seu curso e apontaram medidas cabíveis para solucionar esse problema. Participaram do evento o pró-reitor de Pesquisa e Inovação da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Ciro Alberto de Oliveira Ribeiro; Marcus Tesserolli, prefeito de Piraquara; José Ulisses dos Santos, chefe do Parque Nacional do Iguaçu; Yara Barros, coordenadora do Projeto Onças do Iguaçu; José Álvaro Carneiro, diretor-corporativo do Hospital Pequeno Príncipe; Katya Isaguirre-Torres, coordenadora do Ekoa – Núcleo de Pesquisa e Extensão em Direito Socioambiental da UFPR; e Eduardo Fenianos, pesquisador, escritor e idealizador do Projeto Urbenauta.

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