NOTÍCIAS DO PARANÁ
Assembleia reconhece contribuição ao agronegócio e defesa dos produtores rurais nos 60 anos da FAEP
A Assembleia Legislativa do Paraná realizou, nesta quinta-feira (4), uma sessão solene em homenagem aos 60 anos da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP), marcando o reconhecimento público da trajetória da entidade, que se consolidou como uma das principais defensoras dos produtores rurais e do fortalecimento do agronegócio paranaense. Ao longo de seis décadas, a FAEP desempenhou papel essencial na modernização do campo, na melhoria da produtividade e na promoção da qualidade de vida de milhares de famílias rurais, consolidando sua atuação como referência nacional.
A iniciativa foi proposta pelo deputado Anibelli Neto (MDB), presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Assembleia, que destacou a relevância histórica e institucional da entidade. Segundo o parlamentar, a homenagem reflete “a contribuição fundamental da FAEP para o desenvolvimento do setor no Estado”, lembrando que a instituição liderou as principais lutas do agro paranaense nas últimas décadas. “A FAEP protagonizou avanços estruturais em favor da agropecuária nesses últimos anos, tem uma capilaridade em todos os municípios. Por isso, me sinto muito honrado de ser o proponente desta justa homenagem”, afirmou.
Durante a cerimônia, também foram entregues Votos de Louvor com Menção Honrosa ao Sistema FAEP, ao Conselho Diretor, aos colaboradores, aos sindicatos rurais e às lideranças que marcaram a trajetória de conquistas do setor rural paranaense.
Anibelli Neto fez um reconhecimento especial ao legado de Ágide Meneguette, que desde 1991 conduz importantes transformações na federação e foi responsável pela criação, em 1993, do SENAR-PR, instituição que promove formação continuada e qualificação técnica aos produtores em todas as regiões do Paraná.
O presidente interino da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Sistema Faep), Ágide Eduardo Meneguette, agradeceu a homenagem e a parceria com o Poder Legislativo. “Muita alegria e satisfação receber esse reconhecimento pela Assembleia Legislativa em homenagem à Federação, que está há mais de 60 anos defendendo os produtores rurais do Paraná. O governador Ratinho Junior fala que somos o supermercado do mundo, e isso tem muito suor, muito trabalho, uma empresa a céu aberto que essa entidade vem defendendo com políticas públicas e também ajudando na capacitação, treinamento e desenvolvimento de todos os produtores rurais”, disse.
A deputada Maria Victoria (PP) parabenizou o deputado Anibelli pela iniciativa e os representantes da entidade, especialmente Ágide Meneguette, a quem considera como um padrinho, além de parceiro em campanhas relacionadas às doenças raras — uma de suas principais bandeiras. “Estamos aqui à disposição para proteger a categoria com leis”, assegurou a parlamentar, que chegou a tempo ao evento após estar em Florianópolis, onde a Assembleia recebeu o Selo Diamante de Transparência, com nota máxima de 100%.
O secretário da Agricultura do Paraná, Marcio Nunes, parabenizou o deputado Anibelli Neto e a FAEP pelos seus 60 anos, destacando a parceria com a entidade. Ele mencionou a conquista do Estado na regularização fundiária (CAR), com apoio da FAEP, e a vitória na aplicação do Código Florestal, beneficiando os produtores. Além disso, abordou ações conjuntas para auxiliar os produtores de leite e para combater a importação de tilápia, buscando proteger a produção local. O secretário ressaltou a importância da FAEP na defesa dos produtores rurais.
O presidente da Assembleia, deputado Alexandre Curi (PSD), que participou do vídeo institucional do aniversário da entidade, destacou na publicação a importância histórica da federação para o fortalecimento do campo. “É uma belíssima história de lutas e construção coletiva. A FAEP modernizou e fortaleceu sindicatos, ampliou a capacitação dos produtores, formou novas lideranças, incentivou a participação feminina e levou educação para as escolas, como no Programa Agrinho”, afirmou, ressaltando também o diálogo permanente da entidade com a sociedade. Criado há 30 anos, o Agrinho é o maior programa de responsabilidade social do Sistema FAEP e já envolveu milhões de alunos e professores, promovendo a integração entre o campo e a cidade e fortalecendo valores de cidadania, sustentabilidade e educação no campo.
As comemorações de aniversário incluíram ainda o lançamento do livro “60 anos da FAEP”, obra de 354 páginas e seis capítulos que registra a evolução da entidade desde sua criação até a atuação atual em defesa da inovação, da modernização agrícola e da formação de novas lideranças.
O evento na Assembleia antecedeu o Encontro Estadual de Líderes Rurais 2025, promovido pelo Sistema FAEP nesta sexta-feira (5), no Expotrade, em Pinhais. A programação reúne produtores, técnicos, lideranças rurais e autoridades, incluindo o governador Carlos Massa Ratinho Junior, para debater desafios e projetar o futuro do agronegócio no Paraná, ampliando as celebrações pelos 60 anos da federação.
Presenças
Também compuseram a mesa o deputado Ricardo Arruda (PL); o presidente emérito do Tribunal de Justiça do Paraná, desembargador José Laurindo de Souza Netto; o ex-governador do Paraná e secretário do Codesul/PR, Orlando Pessuti; o presidente da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Estado do Paraná (Fetaep), Alexandre Leal dos Santos; o presidente da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná (Fetranspar), coronel Sérgio Luiz Malucelli; o presidente do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR/PR), Natalino Avance de Souza; o presidente do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken; e o deputado federal Pedro Lupion.
História
Fundada em 16 de dezembro de 1965, com a emissão da Carta Sindical pelo então Ministério do Trabalho e Previdência Social, a FAEP assumiu a missão de coordenar e representar os produtores rurais do Estado, integrando-se à Confederação Nacional da Agricultura (CNA). Desde então, consolidou-se como protagonista na construção de políticas públicas, no fortalecimento dos sindicatos rurais e na promoção da capacitação no campo. Agora, ao completar seis décadas de atuação, a entidade reafirma seu compromisso com o desenvolvimento sustentável, competitivo e inovador do agronegócio paranaense e brasileiro.
NOTÍCIAS DO PARANÁ
Alep discute importância e proteção do Rio Iguaçu
“Salve o Rio Iguaçu: Caminhos para sua Proteção e Reconhecimento”. Este foi o tema da audiência pública realizada na manhã desta terça-feira (30), na Assembleia Legislativa que reuniu especialistas de diversas áreas que estudam a influência do rio, que nasce no manancial da serra do mar, em Piraquara, região metropolitana de Curitiba e percorre centenas de quilômetros até desembocar no Rio Paraná, em Foz do Iguaçu. A proposta do encontro foi do deputado pedetista Goura.

“Queremos chamar a atenção do olhar público para o rio Iguaçu, já que mais de 5 milhões de pessoas vivem em sua bacia, onde existem reservatórios, barragens e inúmeros problemas sociais e ambientais provocados pela falta de atenção do poder público em relação à saúde ecológica do Rio Iguaçu. Por isso, reunimos especialistas, ativistas e pessoas que estudam o equilíbrio ecológico do rio, para trazer esse diagnóstico e buscarmos juntos as soluções tão necessárias para esses problemas”, afirma o deputado, que estende suas preocupações aos demais rios que banham o estado.
“Estamos vivendo um momento de crise climática e precisamos ter um olhar mais cuidadoso com os nossos rios — falando aqui de todos os rios do Paraná: o Ivaí, o Piquiri, o Paranapanema, o Paraná e, obviamente, o Iguaçu, pela sua importância na relação com as pessoas e na sua relação histórica. Hoje é um dia para celebrarmos o Iguaçu, mas também para juntarmos forças em prol de sua preservação”, conclui.
A necessidade de uma legislação atualizada sobre o tema foi destacada pelo deputado Requião Filho (PDT) na abertura da audiência: “Temos o costume de legislar sobre diversos problemas sem consultar os especialistas no assunto, mas estamos tentando reverter isso, e o Goura felizmente faz isso em relação ao meio ambiente, trazendo as universidades e o conhecimento científico — um cuidado que devemos ter aqui na Casa. Estamos em um ponto de desenvolvimento social em que é possível unir a ciência à legislação, juntando conhecimento e vontade política. O Rio Iguaçu pode ser uma metáfora para todo o meio ambiente: se não tomarmos cuidado com nossos rios e com o meio ambiente, significa que não estamos cuidando do nosso estado”.
Direitos do rio
Uma das novidades apresentadas na audiência foi o conceito dos direitos da natureza. A tese, que reconhece um rio, por exemplo, como um “sujeito de direitos”, foi apresentada pela advogada ambientalista Maudi Nancy Joslin-Motta, especializada em gestão e criação de áreas naturais protegidas.
“A proposta que trazemos para o Rio Iguaçu é relativamente nova em termos de direito — um passo à frente do direito ambiental: os direitos da natureza. Nossa proposta é o reconhecimento do Rio Iguaçu como sujeito de direitos, e não como objeto. Os elementos da natureza tendem a ser considerados objetos, mas, como sujeitos de direitos, eles têm alguém para falar por eles. Esse alguém, neste caso, é uma comissão de guardiões e guardiãs do rio, escolhidos entre as pessoas que têm alguma relação com ele, seja o povo ribeirinho, os povos originários, a indústria que capta água para sua atividade, os consumidores, os agricultores ou, enfim, toda a população que depende do Rio Iguaçu”, explica, lembrando que o Rio Iguaçu e seus afluentes respondem por 81% da água consumida no estado do Paraná.
Entre esses guardiões, a advogada destaca os povos originários, que têm um longo histórico de respeito e cuidado com os rios e demais elementos naturais. Indígena do povo Kaingang, a escritora e cineasta Vanessa Fê Há afirma que o Iguaçu não é importante apenas para os povos originários, mas para todos os paranaenses.
“É muito importante que os povos indígenas estejam aqui para falar sobre como é esse contato que temos com o Rio Iguaçu e como ele afeta diretamente as nossas vidas — e sua importância não apenas para os povos indígenas, mas para o estado inteiro, porque a água é vida e a água nos dá vida. É muito importante que o rio faça parte da nossa vida, que esteja em nosso dia a dia e que o tratemos como parte de nós. Temos que pensar no rio, na floresta, como seres vivos, como algo que faz parte do nosso cotidiano. Muitos povos indígenas dizem que somos a própria natureza. Então, se somos a própria natureza, somos a árvore, somos a terra, somos o rio. E esse rio também é o Rio Iguaçu”.
Ao longo da audiência, diversos pesquisadores apresentaram dados alarmantes sobre a degradação do rio em todo o seu curso e apontaram medidas cabíveis para solucionar esse problema. Participaram do evento o pró-reitor de Pesquisa e Inovação da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Ciro Alberto de Oliveira Ribeiro; Marcus Tesserolli, prefeito de Piraquara; José Ulisses dos Santos, chefe do Parque Nacional do Iguaçu; Yara Barros, coordenadora do Projeto Onças do Iguaçu; José Álvaro Carneiro, diretor-corporativo do Hospital Pequeno Príncipe; Katya Isaguirre-Torres, coordenadora do Ekoa – Núcleo de Pesquisa e Extensão em Direito Socioambiental da UFPR; e Eduardo Fenianos, pesquisador, escritor e idealizador do Projeto Urbenauta.
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