ESPORTES
Anderson Silva se despede do UFC com derrota para Uriah Hall, mas com legado intacto no MMA
A despedida de Anderson Silva do UFC, na noite deste sábado em Las Vegas, nos Estados Unidos, no UFC Vegas 12, foi com derrota. Uriah Hall, nove anos mais novo que o brasileiro, venceu por nocaute técnico a lenda-viva do esporte no início do quarto round.
A luta aconteceu no complexo do UFC em Las Vegas sem a presença de público, por conta da pandemia da covid-19. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), neste sábado os Estados Unidos contabilizam 8.872.730 casos positivos da doença, com 227.178 mortes – primeiro lugar no mundo em diagnósticos positivos e óbitos.
A derrota, elemento presente e natural no esporte, em nada mancha a carreira de Anderson Silva, que aos 45 anos se despede do principal evento da atualidade com o sentimento de dever cumprido, pelos anos de soberania na divisão e, principalmente, pela contribuição para alavancar as artes marciais no Brasil.
“Na luta você tem 50% de chances de vencer, a vitória pode ir para qualquer um dos lados. Uriah foi melhor”, disse Anderson Silva em entrevista após a luta.
Ao fim do combate, o jamaicano, que é fã declarado do Spider, reverenciou o legado do ex-campeão dos meio-médios.
FUTURO EM ABERTO
Mesmo fora dos planos do UFC – aparentemente, já que em tese ainda tem uma luta em contrato -, e aos 45 anos, o brasileiro deixou o futuro nas artes marciais no ar.
“Não sei.é difícil dizer que essa vai ser minha última luta, isso é meu ar. Fiz isso minha vida inteira com o coração. Primeiro vou para casa e me reunir com meu time, e vamos ver o que vai acontecer”, completou.
SPIDER ENTRA FOCADO, MAS HALL CONFIRMA FAVORITISMO
O semblante de Anderson Silva ao adentrar no octógono chamava a atenção pela tranquilidade, adquirida pela experiência de 23 anos de lutas profissionais, e foco, se despedir do principal evento de MMA da atualidade com uma vitória.
A luta começou estudada, com ambos os lutadores circulando pelo centro do octógono. Com dois minutos de luta, nenhum golpe significativo havia sido conectado pelos atletas. Anderson Silva e Uriah Hall se soltaram na metade final do primeiro round, com ligeira vantagem do brasileiro, que tomava a iniciativa do combate.
Nove anos mais novo e vindo de dois resultados positivos na divisão, o jamaicano seguiu com uma postura menos agressiva no segundo round. Anderson, por sua vez, além de tocar mais vezes seu oponente, até com um chute rodado, também apresentava boa movimentação, mesmo aos 45 anos.
O terceiro assalto foi vencido por Uriah Hall. Os dois buscaram a aproximação e trocaram bons chutes. Na reta final, entretanto, o jamaicano conseguiu um knockdown e por pouco não encerrou a luta ali mesmo, mas o tempo acabou e Anderson Silva foi salvo.
No quarto round, Uriah Hall aproveitou o bom momento e o momento de fragilidade do ex-campeão, emplacou um jab de encontro e derrubou o brasileiro. No fim, o jamaicano desferiu uma série de socos até o juiz Herb Dean intervir e encerrar o combate.
Após a luta, Uriah Hall reverenciou a lenda do esporte e, bastante emocionado, disse para o Spider: “sinto muito, sinto muito”.
ESPORTES
Com invencibilidade recorde, Espanha vai à final da Copa após 16 anos
A Espanha fez jus ao retrospecto positivo nos últimos confrontos decisivos contra a França e levou a melhor de novo. Nesta terça-feira (14), a Fúria (apelido da seleção espanhola) venceu o clássico por 2 a 0 em Dallas (Estados Unidos) e se classificou para a final da Copa do Mundo pela segunda vez na história.

Foram 16 anos de espera. Desde o título em 2010, na África do Sul, os espanhóis acumularam fracassos nos três Mundiais seguintes, com a queda na fase de grupos em 2014 (Brasil) e duas eliminações nas oitavas de final em 2018 (Rússia) e 2022 (Catar).
Além da vaga à decisão, a Espanha registou a maior sequência invicta de uma seleção na história, de forma isolada. São 38 partidas sem perder desde 15 de junho de 2023, quando derrotou a Itália por 2 a 1 pela Liga das Nações – torneio de países europeus que ocorre a cada duas temporadas. Os espanhóis dividiam o recorde de invencibilidade com os próprios italianos (2018 a 2021).
Esta foi a quarta vez seguida que a Espanha deixou a França para trás em um duelo eliminatório. Em 2024, a Fúria levou a melhor na semifinal da Eurocopa (2a1) e na decisão olímpica de Paris, capital francesa (5 a 3). Já no ano passado, o triunfo (5 a 4) foi pela semi da Liga das Nações.
Em uma seleção de nomes badalados, como o volante Rodri, eleito o Bola de Ouro da temporada 2023/2024; e a jovem estrela Lamine Yamal, que fez 19 anos na última segunda-feira (13), o discreto Mikel Oyarzabal brilhou de novo. Acostumado a marcar gols decisivos, como nas finais da Eurocopa de 2024 e da Liga das Nações de 2025 ou na conquista da última Copa do Rei da Espanha pela Real Sociedad, o atacante encaminhou o resultado em Dallas, abrindo o placar e balançando as redes pela quinta vez neste Mundial.
A Espanha espera o ganhador da outra semifinal, entre Argentina e Inglaterra, que se enfrentam nesta quarta-feira (15), às 16h (horário de Brasília), em Atlanta. A final será no domingo (19), no mesmo horário, em Nova Jersey, também nos Estados Unidos.
Os Bleus (apelido da seleção francesa), por sua vez, perdem a chance de igualar um feito que somente Brasil (1994 a 2002) e Alemanha (1982 a 1990) alcançaram: disputar três finais de Copa seguidas. Além disso, o atacante Kylian Mbappé poderia repetir o ex-lateral brasileiro Cafu, que segue como único homem a participar de três decisões de Mundial.
À França, resta a disputa do terceiro lugar, contra o perdedor do confronto entre argentinos e ingleses. O duelo será às 18h, em Miami (Estados Unidos).
EFICIÊNCIA “FURIOSA”
Na Espanha, Luis de la Fuente mandou a campo a mesma escalação que venceu a Bélgica por 2 a 1 nas quartas de final. Do lado francês, Didier Deschamps fez duas mudanças em relação à vitória por 2 a 0 sobre Marrocos, repetindo a escalação do 3 a 0 aplicado na Suécia, nos 16 avos de final. No meio, Aurélien Tchouaméni se recuperou de uma lesão no adutor da coxa direita e retornou ao time no lugar de Manu Koné. À frente, Bradley Barcola assumiu a vaga de Desiré Doué.
As equipes não abdicaram dos respectivos estilo de jogo. A Espanha fazia a bola girar em busca de espaços e pressionava a saída de jogo e a França buscava impor intensidade e velocidade em seus avanços. A sensação, tamanho o equilíbrio, era que a rede balançaria somente se algum dos lados errasse.
Foi justamente o que ocorreu. Aos 20 minutos, o lateral Lucas Digne tentou cortar um cruzamento da esquerda, mas a bola subiu demais e deu tempo para Lamine Yamal tomar a frente do francês, que o atingiu na coxa, dentro da área. Coube a Oyarzabal cobrar a meia altura, no canto esquerdo, abrindo o placar.
Aos 28, para deixar a missão francesa mais complexa, William Saliba, um dos principais zagueiros da última temporada europeia, sentiu as costas e teve de sair de campo. Ele deu lugar a Maxence Lacroix.
A Espanha conseguia neutralizar o meio-campo francês, dificultando a movimentação de Adrien Rabiot e, principalmente, Michael Olise, o líder de assistências – cinco – do Mundial, obrigando os atacantes Ousmané Dembélé e Mbappé a atuarem longe da área. De quebra, a Fúria se armou de forma a estar pronta para qualquer erro de passe ou domínio dos adversários.
Aos 37 minutos, o goleiro Mike Maignan saiu jogando errado e a bola sobrou na intermediária com Rodri. O volante acionou Yamal, que tabelou com o meia Dani Olmo, entrou na área pela direita e rolou para dentro, buscando Oyazarabal. Na hora certa, o zagueiro Dayot Upamecano travou o chute do atacante, que estava de frente para o gol.
XEQUE-MATE ESPANHOL
A França voltou do intervalo com Koné na vaga de Rabiot – que já tinha cartão amarelo – e Doué no lugar de Barcola. A ideia de Deschamps era aproveitar a habilidade do atacante para desarrumar a marcação da Espanha.
Não deu certo. A Fúria manteve o controle do duelo e chegou ao segundo gol aos 12 minutos. Na sequência da tabela com Dani Olmo, o lateral Pedro Porro escapou da marcação, entrou na área francesa pela direita e chutou na saída de Maignan.
E o 3 a 0 poderia ter saído três minutos depois, não fosse um impedimento milimétrico de Yamal. Ele recebeu na direita, superou Digne e finalizou no canto direito. A jogada foi invalidada porque o atacante estava um ombro a frente do lateral francês na origem do lançamento.
Somente aos 21 minutos da segunda etapa veio o primeiro lance de perigo da França: uma batida cruzada de Mbappé, que invadiu a área pela direita e finalizou. A bola desviou na marcação e saiu rente à trave de Unai Simon.
A França, desconfortável com a desvantagem inédita nesta Copa e a eliminação que se encaminhava, lançou-se como pôde ao ataque, mas praticamente não deu trabalho ao goleiro espanhol. Aos cantos de “olé” das arquibancadas em Dallas, a Fúria segurou o resultado e festejou a vaga em mais uma final.
Agência Brasil
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