NOTÍCIAS DO BRASIL
Inflação e juros mais altos são as previsões econômicas
Interessante a análise de Mansueto sobre a economia brasileira. Publicamos aqui no Paraná Portal para que nossos leitores tenham conhecimento do que acontece hoje e o que está por vir:
“O nosso cenário está piorando muito rápido. A inflação começou a se afastar da meta para os próximos anos e, assim, saímos de uma taxa de juros de 13% no final do ano para 14,25%.
Ou seja, teremos apenas mais um corte de 25 bps na reunião de junho daqui a duas semanas e Banco Central, na nossa visão, não tem mais espaço para cortar juros.
E, o juros mais altos este ano, levará a um cenário também de juros maior para o próximo ano. Mudamos a projeção de juros para o final de 2027 para 12,25%, assumindo que não haja impulso fiscal (estímulos do governo) em 2027 e que a expectativa de inflação de 2028 pare de piorar.
Em resumo, quatro pontos importantes que todos vocês devem estar ciente:
Primeiro, vamos para mais dois anos, este é o próximo, com taxa de juros muito alta: Selic acima de 14% este ano e acima de 12% no próximo.
—> Isso significa condições de crédito piores e possível impacto no balanço das empresas.
Turma de crédito comecem a colocar isso no cenário: ambiente mais adverso e impacto ainda maior no balanço das empresas —-> maior inadimplência
Segundo, juros mais alto significa atividade, necessariamente, mais fraca. Este ano teremos crescimento do PIB perto de 2% porque estamos com um estímulo fiscal dos estados e governo federal muito mais forte do que projetávamos.
Por exemplo, no primeiro trimestre deste ano, PIB cresceu (sem agro) muito mais do que o primeiro trimestre de 2025 quando os juros estavam mais baixos. Economia reacelerou este ano no primeiro trimestre em decorrência da forte expansão fiscal.
Para 2027, primeiro ano do próximo governo, estamos rodando o modelo mas vamos chegar a um crescimento perto de 1% – o menor crescimento do PIB desde 2020!
Isso significa para turma de equities cenário mais adverso de geração de caixa para empresas, em especial, no varejo.
Terceiro, nesse novo cenário macro, não tem como salvar atividade em 2027. Qualquer tentativa do governo de usar impulso fiscal para compensar desaceleração agravará o cenário de inflação e apenas postergará um problema maior para 2028.
Um crescimento mais forte dos setores não muito sensíveis a juros – indústria extrativa e agro- poderia trazer alguma surpresa de crescimento em 2027 além de 1% — mas não tem como estimarmos isso no momento.
Quarto e último ponto, o que poderá pelo menos melhorar o ambiente no segundo semestre de 2027 e melhorar o cenário de crescimento em 2028?
Apenas uma coisa que está no nosso controle: forte ajuste fiscal baseado em uma forte desaceleração do crescimento do gasto fiscal.
Uma forte desaceleração da despesa do setor público aumentaria a potência da política monetária e traria como benefício uma queda mais rápida da expectativa de inflação e um cenário de corte de juros talvez mais agressivo no segundo semestre de 2027 e 2028.
Isso não levaria mais crescimento em 2027, mas levaria talvez uma desaceleração da economia no final de 2027 e a perspectiva de 2028 de juros em queda e atividade reacelerando.
Na sexta-feira coloco aqui as nossas novas projeções. Mas o resumo é este que está aqui: atividade mais fraca, inflação maior, juros mais altos por um tempo mais longo e um fiscal que vai sofrer ainda mais com o aumento da conta de juros do setor público.
Sem um ajuste fiscal crível depois das eleições, 2027 pode ser ainda pior. (Mansueto).
NOTÍCIAS DO BRASIL
SUS vai ampliar proteção vacinal contra doença pneumocócica
A partir de junho, o Sistema Único de Saúde (SUS) vai começar a oferecer um imunizante mais abrangente contra a doença pneumocócica. A vacina pneumocócica conjugada 20-valente (VPC20 ou Pneumo 20) vai substituir a 10-valente, dobrando os sorotipos prevenidos.

O Ministério da Saúde publicou nesta quarta-feira (27) um guia técnico preliminar com orientações sobre a mudança para profissionais de saúde. Os municípios poderão começar a aplicar a vacina assim que receberem o imunizante.
A doença pneumocócica é uma infecção causada pela bactéria Streptococcus pneumoniae, ou pneumococo, que pode ocasionar quadros leves, como inflamação no ouvido ou sinusite, ou graves, como pneumonia bacteriana, meningite e sepse.
Estima-se que o pneumococo seja responsável por até 50% de todos os casos de meningite bacteriana em crianças. A mortalidade nesses casos é de cerca de 30%. Além das crianças pequenas, idosos e indivíduos com comorbidades ou imunossupressão também são mais vulneráveis.
A vacinação contra a doença, com a VPC10, foi incluída no calendário básico infantil em 2010 e desde então, houve redução de 60% dos casos de doença meningocócica causada por algum dos 10 sorotipos combatidos pela vacina em crianças de até dois anos. Os casos de meningite pneumocócica na mesma faixa etária também caíram 65%.
No entanto, em anos mais recentes os casos vêm crescendo. De 2013 a 2019, o Brasil registrou uma média de 164 casos anuais de meningite pneumocócica em crianças de até 5 anos. De 2022 a 2024, a média anual subiu para 211,3 casos.
A Diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, Flávia Bravo, explica que esta fato é reflexo de uma mudança epidemiológica decorrente da própria efetividade da vacinação.
“A introdução da vacina 10-valente foi excelente na redução desses dez tipos, o que representou uma queda importante nas doenças graves. Mas o pneumococo tem uma característica que a gente chama de “replacement“: você controlando um tipo, reduzindo a circulação, outro tipo pode começar a ganhar o espaço”
Dados da vigilância do Ministério da Saúde mostram que quase 40% dos casos graves com amostra coletada entre 2018 e 2023 foram causados por apenas dois tipos da bactéria não prevenidos pela VPC10, mas incluídos na formulação da VPC20.
“Além disso, nos menores de 1 ano, cerca de 11% dos casos de meningite meningocócica são causados pelos outros tipos adicionais da vacina 20-valente. Isso significa que há a possibilidade da gente voltar a reduzir a curva de incidência porque estaremos protegendo exatamente contra os sorotipos que hoje prevalecem”, complementa Flávia.
As vacinas pneumocócicas conjugadas, que são o caso tanto da VPC10 quanto da VPC20, também evitam que o pneumococo se instale na nasofaringe de pessoas vacinadas. Por isso, além de evitar que elas desenvolvam a doença, a vacina também impede a transmissão, promovendo proteção indireta às pessoas não vacinadas.
O Programa Nacional de Imunizações já oferece outras vacinas mais abrangentes contra a doença pneumocócica, a VPC13 e a VPP23, mas apenas para públicos específicos, com determinadas condições de saúde que aumentam a vulnerabilidade às formas graves da doença. Esses imunizantes também serão substituídos pela VPC20 após o fim dos estoques.
Fazem parte dos grupos de alto risco que devem tomar a vacina: pessoas vivendo com HIV/aids; pacientes oncológicos; transplantados de órgãos sólidos ou medula; imunodeficientes; pessoas com nefropatias, pneumopatias, cardiopatias e hepatopatias crônicas; asmáticos graves; diabéticos; pessoas com síndrome de down e prematuros.
O calendário básico de vacinação prevê que os bebês devem receber duas doses da vacina pneumocócica, aos 2 e aos 4 meses de idades, com mais uma dose de reforço aos 12 meses. Crianças menores de 5 anos que não tenham sido vacinadas na idade correta devem atualizar a carteira o mais breve possível.
Durante o período de transição da VPC10 para a VPC20, as crianças receberão a vacina 20-valente na primeira dose e no reforço, e a 10-valente na segunda dose. Crianças que já receberam a primeira dose da vacina 10-valente, serão vacinadas com a 20-valente na segunda dose e no reforço. Uma dose de reforço da VPC20 também será aplicada nas crianças menos de 5 anos que completaram apenas o esquema básico de duas doses com a VPC10.
A vacina só é contraindicada para pessoas com alergia grave a algum componente da fórmula, ou que apresentaram reação alérgica severa em doses anteriores. Recomenda-se também que quem estiver com febre espere melhorar antes de se imunizar.
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