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30% dos casos de Covid-19 foram registrados nos últimos 41 dias

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Há nove meses os primeiros casos de Covid-19 foram confirmados no Paraná. Este sábado (12) é da data que fecha este período dos primeiros registros no Estado, quando foram divulgados seis casos. O coronavírus chegou e com ele a incerteza de qual seria a evolução da doença, se viveríamos a mesma realidade de outras partes do mundo que havíamos acompanhado como espectadores.

Os casos cresceram gradativamente e o pico teria ocorrido supostamente em agosto, com estabilidade dos casos nos meses que se seguiram. Entretanto, o relaxamente de medidas de prevenção, como o isolamento social, resultou em uma curva ascendente e preocupante. Somente em novembro e nos 11 primeiros dias de dezembro – até esta sexta-feira (11) – o número de casos é maior do que o acumulado nos primeiros cinco meses da pandemia no Estado.


Foram 98.329 diagnósticos em 41 dias, quase um terço do total (30,7%) de todo o período, que somou 320.088 diagnósticos positivos até a sexta-feira (11). Neste mesmo recorte, em relação aos óbitos, ocorreram 1.169, representando pouco mais de um sexto (17,7%) do total de 6.575 .

“O cuidado individual possibilita evitar a transmissão do vírus. O distanciamento, aliado ao uso de máscaras, dificulta o contágio com as gotículas de saliva que possam estar infectadas pelo novo coronavírus. Os números são elevados e a situação é muito séria”, enfatiza o secretário estadual da Saúde, Beto Preto.

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De 12 de março a 31 de julho (142 dias), o Estado registrou 83.690 diagnósticos positivos da doença e 2.113 mortes. De 1º de agosto a 11 de dezembro (133 dias), foram 236.398 testes positivos, com a ocorrência de 4.530 óbitos devido a complicações da doença.

Para o secretário da Saúde, a situação é de extrema preocupação. “Estamos num período em que tudo o que fizemos até agora é colocado em cheque. O Estado tem atuado de forma ágil para viabilizar todo o insumo e suporte aos pacientes, mas a quantidade de pessoas que estão se infectando aumentou e extrapolou a possibilidade de aumentar leitos.”

Beto Preto reforça que todos estão trabalhando com esforços no limite. “Estamos no limite de leitos, realizando o máximo de exames por dia, as equipes estão exaustas, a rotina dentro de uma UTI Covid é mentalmente desgastante e fisicamente cansativa”.

O Estado ativou 2.876 leitos exclusivos para Covid-19 no período. Destes, 1.120 de UTI adulto, 22 UTI pediátrica, 1.700 enfermaria adulto e 34 leitos de enfermaria pediátrica. Em nove meses foram mais de 20 mil internações.
O Governo do Estado publicou decretos, resoluções, notas técnicas e orientações a fim de evitar a transmissão do coronavírus. “O Paraná enfrenta o maior desafio da história. O País e todo o mundo estão na mesma situação.

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Precisamos que todos colaborem para que possamos dar suporte médico e hospitalar a todos que precisem. Não gostaríamos de ver em nosso território situações vividas por outros locais pela falta de leitos”, reitera Beto Preto.
PROTEÇÃO – As medidas de proteção são eficazes. O uso de máscara, o distanciamento físico (mínimo 1,5 metro) e a higienização das mãos são as três recomendações básicas. Além destas, permanecer em casa sempre que possível, buscar atendimento médico quando apresentar sintomas gripais, evitar contato com outras pessoas e não participar de aglomerações.

FISCALIZAÇÃO – Com a publicação do decreto 6.294, em 03 de dezembro, ficou proibida a circulação de pessoas em espaços e vias públicas das 23h às 5h e também a comercialização e o consumo de bebidas alcoólicas em espaços de uso público ou coletivo e estabelecimentos comerciais. O decreto restringe a realização de eventos presenciais com mais de dez pessoas. A Polícia Militar, em cooperação com as guardas municipais, é responsável pela fiscalização.
Para denunciar, qualquer cidadão pode entrar em contato pelo telefone 190, e 156 nos municípios em que há guarda municipal.
AEN

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NOTÍCIAS DO PARANÁ

Alep discute importância e proteção do Rio Iguaçu

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“Salve o Rio Iguaçu: Caminhos para sua Proteção e Reconhecimento”. Este foi o tema da audiência pública realizada na manhã desta terça-feira (30), na Assembleia Legislativa que reuniu especialistas de diversas áreas que estudam a influência do rio, que nasce no manancial da serra do mar, em Piraquara, região metropolitana de Curitiba e percorre centenas de quilômetros até desembocar no Rio Paraná, em Foz do Iguaçu. A proposta do encontro foi do deputado pedetista Goura.

“Queremos chamar a atenção do olhar público para o rio Iguaçu, já que mais de 5 milhões de pessoas vivem em sua bacia, onde existem reservatórios, barragens e inúmeros problemas sociais e ambientais provocados pela falta de atenção do poder público em relação à saúde ecológica do Rio Iguaçu. Por isso, reunimos especialistas, ativistas e pessoas que estudam o equilíbrio ecológico do rio, para trazer esse diagnóstico e buscarmos juntos as soluções tão necessárias para esses problemas”, afirma o deputado, que estende suas preocupações aos demais rios que banham o estado.

“Estamos vivendo um momento de crise climática e precisamos ter um olhar mais cuidadoso com os nossos rios — falando aqui de todos os rios do Paraná: o Ivaí, o Piquiri, o Paranapanema, o Paraná e, obviamente, o Iguaçu, pela sua importância na relação com as pessoas e na sua relação histórica. Hoje é um dia para celebrarmos o Iguaçu, mas também para juntarmos forças em prol de sua preservação”, conclui.

A necessidade de uma legislação atualizada sobre o tema foi destacada pelo deputado Requião Filho (PDT) na abertura da audiência: “Temos o costume de legislar sobre diversos problemas sem consultar os especialistas no assunto, mas estamos tentando reverter isso, e o Goura felizmente faz isso em relação ao meio ambiente, trazendo as universidades e o conhecimento científico — um cuidado que devemos ter aqui na Casa. Estamos em um ponto de desenvolvimento social em que é possível unir a ciência à legislação, juntando conhecimento e vontade política. O Rio Iguaçu pode ser uma metáfora para todo o meio ambiente: se não tomarmos cuidado com nossos rios e com o meio ambiente, significa que não estamos cuidando do nosso estado”.

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Direitos do rio

Uma das novidades apresentadas na audiência foi o conceito dos direitos da natureza. A tese, que reconhece um rio, por exemplo, como um “sujeito de direitos”, foi apresentada pela advogada ambientalista Maudi Nancy Joslin-Motta, especializada em gestão e criação de áreas naturais protegidas.

“A proposta que trazemos para o Rio Iguaçu é relativamente nova em termos de direito — um passo à frente do direito ambiental: os direitos da natureza. Nossa proposta é o reconhecimento do Rio Iguaçu como sujeito de direitos, e não como objeto. Os elementos da natureza tendem a ser considerados objetos, mas, como sujeitos de direitos, eles têm alguém para falar por eles. Esse alguém, neste caso, é uma comissão de guardiões e guardiãs do rio, escolhidos entre as pessoas que têm alguma relação com ele, seja o povo ribeirinho, os povos originários, a indústria que capta água para sua atividade, os consumidores, os agricultores ou, enfim, toda a população que depende do Rio Iguaçu”, explica, lembrando que o Rio Iguaçu e seus afluentes respondem por 81% da água consumida no estado do Paraná.

Entre esses guardiões, a advogada destaca os povos originários, que têm um longo histórico de respeito e cuidado com os rios e demais elementos naturais. Indígena do povo Kaingang, a escritora e cineasta Vanessa Fê Há afirma que o Iguaçu não é importante apenas para os povos originários, mas para todos os paranaenses.

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“É muito importante que os povos indígenas estejam aqui para falar sobre como é esse contato que temos com o Rio Iguaçu e como ele afeta diretamente as nossas vidas — e sua importância não apenas para os povos indígenas, mas para o estado inteiro, porque a água é vida e a água nos dá vida. É muito importante que o rio faça parte da nossa vida, que esteja em nosso dia a dia e que o tratemos como parte de nós. Temos que pensar no rio, na floresta, como seres vivos, como algo que faz parte do nosso cotidiano. Muitos povos indígenas dizem que somos a própria natureza. Então, se somos a própria natureza, somos a árvore, somos a terra, somos o rio. E esse rio também é o Rio Iguaçu”.

Ao longo da audiência, diversos pesquisadores apresentaram dados alarmantes sobre a degradação do rio em todo o seu curso e apontaram medidas cabíveis para solucionar esse problema. Participaram do evento o pró-reitor de Pesquisa e Inovação da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Ciro Alberto de Oliveira Ribeiro; Marcus Tesserolli, prefeito de Piraquara; José Ulisses dos Santos, chefe do Parque Nacional do Iguaçu; Yara Barros, coordenadora do Projeto Onças do Iguaçu; José Álvaro Carneiro, diretor-corporativo do Hospital Pequeno Príncipe; Katya Isaguirre-Torres, coordenadora do Ekoa – Núcleo de Pesquisa e Extensão em Direito Socioambiental da UFPR; e Eduardo Fenianos, pesquisador, escritor e idealizador do Projeto Urbenauta.

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