SAÚDE
Saiba como funcionam os testes para detectar a covid-19
Para identificar as infecções causadas pelo novo coronavírus, dois tipos de teste são mais usados: os que identificam se o corpo já teve contato e produziu defesas contra o vírus e o que determina se a pessoa está infectada naquele momento pelo microrganismo.
TESTES RÁPIDOS OU SOROLÓGICOS
Os primeiros são os chamados testes rápidos, capazes de dar uma resposta quase imediata se a pessoa já teve a doença. A partir da coleta de sangue, que permitirá verificar a presença de anticorpos no soro ou no plasma do paciente, esses exames podem apresentar o resultado em até 30 minutos.
Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), é preciso, no entanto, que o corpo tenha tido tempo de produzir as defesas contra o vírus para que o exame dê um resultado positivo. O tempo estimado é de pelo menos oito dias após o início dos sintomas para que seja possível indicar se a pessoa teve contato com o vírus.
O resultado é dado por meio de uma substância reagente, que muda de cor ao entrar em contato com as imunoglobulinas (anticorpos produzidos pelo corpo contra infecções). Os testes rápidos para covid- 19 são os que identificam as imunoglobulinas G e M (IgG/IgM). Caso a pessoa já tenha tido contato com o vírus, ela pode ter imunidade temporária ou resistência à doença.
Como são baseadas na resposta imunológica do paciente, que pode variar de pessoa para pessoa, a Anvisa alerta que esses testes não confirmam de forma definitiva se a pessoa tem ou não a doença. A principal função desses exames é avaliar a disseminação do vírus em determinadas populações, de forma a embasar ações de saúde pública.
TESTE MOLECULAR
Os testes RT- PCR, por outro lado, identificam a presença de material genético do vírus no corpo do paciente. A sigla em inglês significa: Reação em Cadeia da Polimerase com Transcrição Reversa. De acordo com os critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS), são esses testes que determinam de forma mais confiável se a pessoa tem ou não covid-19.
Para fazer o exame, são coletadas amostras de secreções do nariz ou da garganta do paciente. Em geral, esses testes são feitos, sob prescrição médica, quando a pessoa apresenta sintomas da doença. Ele não mostra se a pessoa já teve a doença, como os sorológicos, mas se há vírus vivos no corpo da pessoa naquele momento. Esse teste deve ser feito pouco tempo depois de a pessoa apresentar os sintomas. Caso seja feito muito tempo depois, em um estágio final da infecção, pode não haver mais traços suficientes do vírus para um diagnóstico preciso.
Os resultados não são imediatos. Os laudos podem demorar alguns dias para serem finalizados. O laboratório vai buscar fragmentos do material genético do vírus (RNA) nas amostras colhidas do paciente. Caso esse material seja encontrado, as moléculas serão analisadas para determinar se pertencem ou não ao vírus causador da covid-19.
SAÚDE
Coronavírus: o que se sabe sobre a vacina com resultados ‘extremamente promissores’ criada em Oxford
Uma vacina contra o novo coronavírus desenvolvida pela Universidade Oxford parece ser segura e ter o poder de desencadear uma resposta imune pelo organismo.
Testes envolvendo 1.077 pessoas mostram que a vacina resultou na produção de anticorpos e células T que podem combater o coronavírus.
As descobertas são extremamente promissoras, mas ainda é cedo para saber se isso é suficiente para oferecer proteção.
Enquanto estudos mais amplos estão em andamento, o Reino Unido já encomendou 100 milhões de doses da vacina.
Entenda a seguir o que se sabe até agora sobre esta possível vacina.
Como a vacina funciona?
A vacina – chamada ChAdOx1 nCoV-19 – está sendo desenvolvida em uma velocidade sem precedentes.
Ela é produzida a partir de um vírus geneticamente modificado que causa o resfriado comum em chimpanzés.
O vírus foi fortemente modificado – primeiro para não causar infecções nas pessoas, mas também para se “parecer” mais com coronavírus.
No desenvolvimento da vacina, os cientistas transferiram informações genéticas para a “proteína de pico viral” do coronavírus – uma ferramenta crucial usada pelo novo coronavírus para invadir nossas células.

O que são anticorpos e células T?
Até agora, grande parte dos debates sobre uma resposta ao coronavírus tem sido sobre anticorpos, mas eles são apenas uma parte da nossa defesa imunológica.
Anticorpos são pequenas proteínas produzidas pelo sistema imunológico que se grudam na superfície dos vírus.
Os anticorpos neutralizantes têm o poder desativar o coronavírus.
Já as células T, um tipo de glóbulo branco, ajudam a coordenar o sistema imunológico.
Elas são capazes de identificar quais células do corpo foram infectadas e destruí-las.
Quase todas as vacinas eficazes induzem respostas tanto de um anticorpo quanto célula T.
É seguro?
Sim, mas existem efeitos colaterais.
Não houve reações perigosas, no entanto, 70% das pessoas no estudo desenvolveram febre ou dor de cabeça.
Os pesquisadores dizem que isso pode ser controlado com paracetamol.
Sarah Gilbert, da Universidade de Oxford, no Reino Unido, diz: “Ainda há muito trabalho a ser feito antes que possamos confirmar se nossa vacina ajudará a gerenciar a pandemia da covid-19, mas esses primeiros resultados são promissores”.
Quais são as próximas etapas do teste?
Os resultados até agora são promissores, mas o principal objetivo dos cientistas é garantir que a vacina seja segura o suficiente para as pessoas.
O estudo não mostra se a vacina pode impedir as pessoas de adoecerem ou até diminuir os sintomas da covid-19.
Mais de 10 mil pessoas participarão da próxima etapa dos testes no Reino Unido.
O estudo também foi expandido para outros países porque, neste momento, os níveis de coronavírus são baixos no Reino Unido, o que dificulta a percepção da eficácia da vacina.
Haverá um grande teste envolvendo 30 mil pessoas nos EUA, 2 mil na África do Sul e 5 mil no Brasil.
Também existem pedidos “testes de desafio”, nos quais pessoas vacinadas são deliberadamente infectadas com coronavírus. No entanto, há preocupações éticas devido à falta de tratamentos efetivos para a doença.
Quando a vacina estará disponível?
É possível que uma vacina contra o coronavírus seja confirmada como eficaz antes do final do ano no Reino Unido. Mas ela não estará amplamente disponível.
Profissionais de saúde e assistência serão priorizados no país, assim como pessoas que estejam sob alto risco devido à idade ou condições médicas.
É provável que a vacinação generalizada no Reino Unido comece no início do próximo ano, se tudo der certo.
O primeiro-ministro Boris Johnson disse: “Obviamente, estou esperançoso, estou com os dedos cruzados, mas dizer que estou 100% confiante de que vamos receber uma vacina este ano, ou mesmo no próximo ano, é um exagero”.
“Nós não chegamos lá ainda”, continuou.
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