NOTÍCIAS DO BRASIL
Bolsonaro encontra Salvini, da ultradireita italiana, em memorial de pracinhas da Segunda Guerra
O dia em Pistoia amanheceu chuvoso e confuso, como disseram alguns moradores. Na manhã desta terça-feira (2), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e Matteo Salvini, líder do partido de ultradireita Liga Norte, encontraram-se para participar de um ato solene em homenagem aos 467 pracinhas mortos em combate durante a Segunda Guerra Mundial. No total, 20.573 soldados brasileiros estiveram na Itália lutando contra o fascismo.
Como em todos os anos, a cerimônia acontece no cemitério San Rocco, em frente ao monumento ao soldado desconhecido erguido em memória dos brasileiros. Após a execução dos hinos nacionais, Bolsonaro depositou uma coroa de flores no monumento e o pastor evangélico Samuele Baroncelli fez um breve pronunciamento. Já o padre Dom Piero Sabadini celebrou uma pequena missa e abençoou o monumento.
Mas ao que parece, Dom Piero não estava muito feliz em participar do ato. Uma pessoa próxima ao religioso falou com a Folha de S.Paulo em condição de anonimato e deixou claro que o padre não concorda com nada do que está acontecendo no encontro entre Bolsonaro e Salvini. Disse ainda que o presidente brasileiro é um ditador e que o pai de Dom Piero morreu lutando contra o fascismo.
Em sua fala, Salvini pediu desculpas pela polêmica levantada nos últimos dias, em referência aos protestos contra Bolsonaro”Desculpem a polêmica de alguns, que conseguem fazer divisões mesmo em um dia de lembrança, de honra como hoje. A amizade de nossos povos é mais forte do que a polêmica de alguns que não representam o povo italiano”, disse.
Tanto o político italiano quando o ministro da Defesa brasileiro, o general Walter Souza Braga Netto, que acompanha Bolsonaro em Pistoia, mencionaram em seus discursos a expressão “a cobra vai fumar”, um dos slogans da Força Expedicionária Brasileira (FEB).
Antes de se pronunciar, o presidente brasileiro deu a palavra a Romano Levoli, um dos últimos pracinhas ainda vivos dentre os que lutaram na guerra. Sem entrar em detalhes, o ex-combatente disse que a Itália não reconheceu a sua “memória histórica”.
Bolsonaro disse estar emocionado. “Pela primeira vez estou em solo italiano, solo este sagrado para nós. Estamos comemorando aqueles que tombaram em luta pelo que tem de mais sagrado em nós, a nossa liberdade”.
O presidente também lembrou que cerca de 30 milhões de brasileiros têm origem italiana –uma das justificativas apresentadas pela prefeita de Anguillara Veneta para conceder a cidadania honorária ao líder brasileiro.
Bolsonaro e Salvini têm muito em comum. Se, de um lado, o relatório final da CPI da Covid pediu que o presidente brasileiro fosse denunciado por crimes de responsabilidade e contra a humanidade, de outro, seu aliado italiano responde a um processo criminal por sequestro de pessoas.
Em 2019, Salvini negou acesso aos portos italianos a um barco da ONG espanhola Open Arms que havia resgatado 147 imigrantes no Mar Mediterrâneo, ao largo da Costa da Líbia. Durante o impasse, vários migrantes desesperados se jogaram no mar na tentativa de chegar nadando à terra firme. A embarcação só teve permissão para atracar após 19 dias, mas não por decisão de Salvini.
Foi necessária uma intervenção do Ministério Público de Agrigento, na Sicília, que ordenou o desembarque dos migrantes. Se condenado pelo crime de que é acusado, Salvini pode pegar até 15 anos de prisão.
Segundo fontes internas da Liga Norte, o encontro com Bolsonaro deveria ter acontecido em Roma, em ocasião da participação do presidente brasileiro na cúpula do G20, que reúne as principais economias do mundo. Mas, estrategicamente, Salvini optou por encontrá-lo em Pistoia, aproveitando a ocasião para inaugurar a sede de seu partido na cidade.
A ação de Salvini é clara. Há quatro anos sob controle de líderes de centro-direita, a pequena cidade vai às urnas no ano que vem, e uma vitória em Pistoia pode ter alto valor estratégico para a Liga Norte.
A tática do político italiano, no entanto, não passou despercebida pelos moradores da cidade.Liderenças locais, já descontentes com a visita de Bolsonaro a Pistoia, marcaram dois protestos para esta terça-feira: um pela manhã, que aconteceu simultaneamente à cerimônia em memória dos pracinhas, e outro durante a tarde (por volta das 11h, no horário de Brasília)
Isolado internacionalmente, Bolsonaro teve uma agenda magra em sua estadia na Itália. Além de Salvini, o presidente só encontrou oficialmente Alessandra Buoso, prefeita de Anguillara Vêneta, que o recebeu nesta segunda para a entrega do título de cidadão honorário.
NOTÍCIAS DO BRASIL
Brasil diz não abrir mão do Pix ao negociar tarifaço com os EUA
CNN – Após as ameaças feitas pelo governo dos Estados Unidos de aplicar novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, o governo federal tem se reunido com representantes comerciais americanos para tentar evitar um novo “tarifaço”.
As conversas giram em torno da investigação feita pelos EUA por meio da “Seção 301”, que analisa pontos da atuação econômica do Brasil, como as taxas cobradas no comércio internacional e o funcionamento do Pix. O governo brasileiro reforçou que o sistema de pagamentos é inegociável.
Na quinta-feira (2), o ministro do MDIC (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), Márcio Elias Rosa, se reuniu com o chefe do USTR (escritório do representante comercial), Jamieson Greer, e rechaçou qualquer possibilidade de negociações sobre o Pix, que vem sendo um dos principais alvos da investigação norte-americana.
Na reunião, o ministro apresentou um plano, que não engloba o Pix, com medidas que o Brasil pode vir a adotar para as demandas exigidas pelos EUA na Seção 301. Segundo apurou a CNN, as ações atenderiam todos os outros eixos da investigação, que são:
tarifas preferenciais desleais;
acesso ao mercado de etanol;
proteção da propriedade intelectual;
combate à corrupção; e
desmatamento ilegal.
A principal medida exposta como moeda de negociação foi a redução de tarifas que o Brasil cobra dos Estados Unidos sobre cerca de 300 tipos de transações comerciais. Já outras possibilidades apresentadas são textos em tramitação no Congresso Nacional ou medidas infralegais formuladas internamente no Palácio do Planalto.
Esta foi a quarta vez que Márcio Elias e Jamieson Greer se reuniram. Sob as diretrizes da OMC (Organização Mundial do Comércio), o Brasil não poderia baixar tarifas para apenas um país. Portanto, não poderia fazê-lo somente aos Estados Unidos. A solução encontrada foi acenar com a redução das taxas a vários países, em setores nos quais os americanos teriam maiores condições de competir e que não prejudicariam a indústria nacional.
Com o reforço de que o Pix não entrará nas negociações, as conversas entre os dois governos devem continuar. Na semana que vem, membros das áreas econômicas voltarão a se encontrar, e há expectativa de que o ministro do MDIC e o chefe do USTR se reúnam antes de 15 de julho, prazo no qual os EUA devem decidir sobre a recomendação, ou não, de novas tarifas ao BRASIL.
Disputa política
Enquanto as negociações econômicas prosseguem, o tarifaço americano e possíveis novas sanções comerciais têm sido motivo de declarações e troca de farpas entre os dois principais pré-candidatos à Presidência: Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
O presidente Lula criticou a família Bolsonaro nessa quinta-feira após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enviar uma carta aos Estados Unidos pedindo a suspensão das possíveis taxas contra o Brasil.
Nas redes sociais, Lula disse que o Brasil “não está à venda” e que defender o adiamento das tarifas para depois das eleição, como fez Flávio, é “uma traição à pátria”.
“Pedir que o tarifaço contra o nosso país seja adiado para depois das eleições é mais uma atitude de traidores da Pátria. Nunca houve e não há qualquer justificativa para tarifaço agora ou depois”, publicou Lula no X (antigo Twitter). “Nossa Pátria não está à venda. Nossa soberania é inegociável. O Brasil é dos brasileiros”, completou o presidente.
Mais tarde, ainda na quinta-feira, o senador Flávio Bolsonaro rebateu, também pelo X, as declarações de Lula. Segundo Flávio, Lula “é o único que quer o tarifaço contra produtos brasileiros”. O filho de Jair Bolsonaro criticou o que chamou de “falsa narrativa de defesa da soberania” do atual chefe do Executivo.
“Provocou, esbravejou, não negociou e fez lobby a favor do PCC e do Comando Vermelho para que não fossem classificados como terroristas. Envergonhou o Brasil perante o mundo! Ignorou o sofrimento de mais de 50 milhões de brasileiros que moram em áreas dominadas por esses narcoterroristas”, disse Flávio.
Matéria especial da CNN
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