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Eleições 2020: participação de mulheres e negros aumenta, mas abismo ainda é grande
A comparação entre os candidatos nas Eleições Municipais de 2020 e 2016 mostra um pequeno avanço na participação de mulheres e negros na disputa por cargos eletivos. Os dados constam no banco de estatísticas do TSE (Tribunal Superior Eleitoral)
Neste ano, no Paraná, as candidatas do gênero feminino correspondem a 33,6% do total de candidaturas. Quatro anos atrás, o índice era de 31,9%.
Em relação à cor, a prevalência de candidatos brancos recuou de 51,4% para 48%. Somados, pretos e pardos agora totalizam 50%, ante 47,7% em 2016.
Apesar do aumento na diversidade, no Paraná, o abismo ainda é grande. O perfil médio dos candidatos consiste em: homens, brancos, casados, 40 a 44 anos, com Ensino Médio completo.
POLÍTICAS PÚBLICAS INCLUEM MULHERES, NEGROS E INDÍGENAS
A doutora em Ciências da Comunicação Luciana Panke acredita que a participação feminina é propiciada por leis afirmativas. Tanto em 2016 quanto em 2020 o número de candidatas mulheres é muito próximo à cota mínima de 30%, estabelecida pela Lei das Eleições.
“A política ainda é vista como um espaço muito masculinizado. As lideranças em si, não só na política eleitoral, isso também acontece nas empresas, associação, entidades representativas. A política vai refletir o que acontece em outros meios da sociedade”, afirma Panke, que é especialista em política e campanhas eleitorais.
Para ela, a pandemia do coronavírus também foi um fator que dificultou a ascensão das candidaturas femininas, uma vez que as mulheres são sobrecarregadas nos cuidados com a casa e com os filhos. Com o período de isolamento social, a diferença na carga de trabalho doméstico entre homens e mulheres ficou mais evidente, segundo a especialista.
Em entrevista ao Paraná Portal, Luciana Panke defendeu as políticas públicas como forma de moldar a política eleitoral, abrindo espaço para a diversidade e representatividade.
“Se não fossem as políticas afirmativas, a repetição do político branco, rico, homem, acima dos 40 anos, se repetiria ad eternum. Dificilmente veríamos mulheres, negros e indígenas em cargos de poder”.

NO BRASIL, PERFIL DOS CANDIDATOS MUDOU
Dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) indicam que, nas Eleições Municipais 2020, o perfil geral dos candidatos é outro, se comparado com quatro anos atrás.
Entre os mais de 548 mil candidatos registrados, sendo 49,9% autodeclarados pretos ou pardos. O novo perfil médio consiste em: homem, negro, com ensino médio completo, e uma idade de 46 anos.
Para o cientista político Doacir Gonçalves de Quadros, os dados indicam a mudança no perfil dos aspirantes à elite política representativa no Brasil. No entanto, ele pondera que a mudança é mais atenuada de acordo com o cargo em disputa.
“Para cargo de prefeito, a grande maioria dos candidatos – 63% – são brancos, para 35% negros. Para vereadores, 46% se autoproclamam brancos, contra 50% negros”, diz Quadros.
Ele acredita que a mudança do perfil dos candidatos é o primeiro passo para diminuir a discrepância entre o perfil da população e os eleitos, que ainda é muito grande.
“A mulher negra representa 28% do total da população, porém, esse percentual não reflete na representação no Congresso Nacional. Negros não passam de 2% do total de parlamentares”, afirma.
NOTÍCIAS DO BRASIL
Canetas para emagrecer mudam carrinho de compras e aceleram corrida da indústria por alimentos saudáveis
Os medicamentos para perda de peso à base de GLP-1, popularizados no Brasil como “canetas emagrecedoras”, já provocam um efeito que vai além da balança: estão mudando o comportamento de consumo e pressionando a indústria de alimentos a se reinventar. Com menor apetite e foco crescente em saúde, consumidores passam a priorizar produtos naturais, ricos em fibras, menos açucarados e com maior valor nutricional.
A transformação já é percebida por empresas do setor. A catarinense Polpa Brasil, especializada em ingredientes naturais para a indústria alimentícia, registrou aumento da demanda por soluções à base de frutas e vegetais desidratados e decidiu ampliar capacidade produtiva. A companhia prepara novas linhas de produção e embalagem para o varejo, além da expansão do estoque em 30%. Ainda neste ano, projeta uma nova linha de barras e tabletes capaz de dobrar a capacidade atual.
O movimento acompanha uma tendência global. Estudo da Morgan Stanley Research aponta que usuários desses medicamentos tendem a reduzir o consumo de álcool e alimentos altamente calóricos, já que os remédios atuam em áreas do cérebro ligadas ao apetite e à recompensa alimentar.
Qualidade supera quantidade
Para Ramon Lacowicz, diretor e sucessor da Polpa Brasil, o consumidor vive uma mudança estrutural na relação com a comida.
“Quando a pessoa passa a comer menos, ela tende a escolher melhor. O peso da decisão sai da quantidade e vai para a qualidade. Cresce a busca por alimentos que entreguem nutrição, saciedade e benefícios reais à saúde”, afirma.
Segundo ele, ingredientes naturais ganham protagonismo justamente por responderem a esse novo perfil de consumo. “Frutas e vegetais preservados oferecem sabor, valor nutricional e uma percepção clara de saudabilidade. É exatamente o que o mercado está pedindo hoje.”
Mercado reage
Criados inicialmente para diabetes tipo 2, os medicamentos também passaram a ser usados no tratamento da obesidade, condição que afeta cerca de 9 milhões de brasileiros. No mundo, o excesso de peso pode atingir 2,3 bilhões de adultos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Para especialistas do setor, esse cenário deve acelerar lançamentos de snacks funcionais, bebidas com benefícios adicionais, sobremesas com menos açúcar e alimentos mais limpos em formulação e rótulo.
Sobre a Polpa Brasil
Há cerca de 20 anos, a Polpa Brasil atende segmentos como panificação, confeitaria, laticínios, chocolates, snacks, bebidas, alimentos processados e mercado pet. A empresa também detém a marca Merendô!, fornecedora de barrinhas de frutas para merenda escolar em quatro estados, alcançando cerca de 1,5 milhão de estudantes.
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