NOTÍCIAS DO BRASIL
Exportações de frango devem crescer até 5% no Brasil, mesmo com Covid-19
A ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) divulgou nesta quarta-feira (15) sua expectativa de crescimento nas exportações e produção para os setores de frangos, suínos e ovos até o final do ano.
Mesmo com os impactos da pandemia da Covid-19, o setor de aves deve aumentar suas exportações em até 5%, saltando de 4,214 milhões de toneladas para 4,450 milhões de toneladas.
O frango brasileiro ganhou maior espaço entre os países do Leste e Sudeste da Ásia, em detrimento da diminuição das exportações para as nações do Oriente Médio.
Na comparação entre os seis primeiros meses de 2019 e 2020, as exportações para o Oriente Médio caíram de 36,6% para 32%, enquanto as do restante da Ásia subiram de 35,9% para 40,7% das 2,11 milhões de toneladas embarcadas pelo Brasil no período.
Somente a China e o Japão importaram juntos 554 mil toneladas, enquanto os maiores crescimentos foram registrados nos embarques para o Vietnã (73%), Filipinas (72%) e Singapura (49%) que receberam 131,3 mil toneladas do frango brasileiro.
“A pandemia equalizou uma expectativa de crescimento maior no início do ano, com a visão do aquecimento da economia brasileira e das reformas econômicas somadas as importações chinesas devido a peste suína africana”, explicou o diretor-executivo da ABPA, Ricardo Santin.

O Paraná segue como principal vetor das exportações nacionais, exportando 40% dos embarques no primeiro semestre de 2020, representando 829 mil toneladas.
Mas Santin criticou a Nota Orientativa número 31 emitida pela Secretaria de Estado da Saúde do Paraná por ter ampliado as medidas restritivas de funcionamento aos frigoríficos do estado.
“Precisa ter um tipo de distanciamento em cada lugar? Ou se existe uma regra nacional que aponta que há segurança? Só para dizer que o meu é mais e o seu é menos”, questionou Santin.
O Paraná registrou dois surtos de casos da Covid-19 em frigoríficos nos municípios de Paranavaí e Cianorte. Ambos tiveram que paralisar a produção e adotar uma série de medidas restritivas à pandemia da Covid-19.
Mas Santin apontou que os frigoríficos paranaenses adotaram medidas para mitigar essas limitações, como ampliação dos turnos e contratação de novos colaboradores. Dessa forma a ABPA aponta que a tendência é que não haja queda na produção paranaense.
EXPORTAÇÕES DE SUÍNOS DEVEM SUBIR DEVIDO A CHINA
Assim como o setor de aves, a produção brasileira de suínos irá registrar crescimento nas exportações, beneficiada pelos focos de peste suína clássica na China.
A nação asiática foi responsável por importar 231 mil toneladas das 350 mil toneladas totais embarcadas pelo Brasil nos seis primeiros meses de 2020.
Devido a peste suína clássica, a China foi responsável por 44% de todas as importações de carne suína em todo mundo nesse primeiro semestre.
“A falta de produtos na China é na casa de 10 milhões de toneladas, por isso mesmo o crescimento na produção de 1 milhão de toneladas por ano não suporta a demanda interna após os casos de peste suína clássica”, continuou Santin.
No Brasil a liderança nas exportações é de Santa Catarina, com 244 mil toneladas embarcadas no primeiro semestre. Rio Grande do Sul (119 mil toneladas) e Paraná (67 mil toneladas) fecham o pódio.
CONSUMO INTERNO DE OVOS BATE RECORDE COM COVID-19
A pandemia da Covid-19 provocou a quebra de recorde no consumo per capita de ovos no Brasil nesse primeiro semestre, com a população nacional subindo seu consumo de 230 ovos por pessoa para 250 ovos por pessoa, registrando uma alta de 8,5%.
Em reflexo, as exportações do setor caíram 51% no período, com 3,5 mil toneladas embarcadas ante 7,698 registrada no primeiro semestre de 2019.
“A pandemia fez com que as pessoas percebessem a qualidade e os benefícios do consumo do ovo”, contextualizou Santin.
Mas outro fator que explica a alta procura pelo consumo de ovos no mercado interno é a queda na renda familiar dos brasileiros.
Sendo a proteína animal mais competitiva em termos de preço em relação à carne bovina, suína e de frango, o ovo conseguiu ganhar espaço na mesa do consumidor brasileiro desde o início da pandemia em março.
NOTÍCIAS DO BRASIL
Canetas para emagrecer mudam carrinho de compras e aceleram corrida da indústria por alimentos saudáveis
Os medicamentos para perda de peso à base de GLP-1, popularizados no Brasil como “canetas emagrecedoras”, já provocam um efeito que vai além da balança: estão mudando o comportamento de consumo e pressionando a indústria de alimentos a se reinventar. Com menor apetite e foco crescente em saúde, consumidores passam a priorizar produtos naturais, ricos em fibras, menos açucarados e com maior valor nutricional.
A transformação já é percebida por empresas do setor. A catarinense Polpa Brasil, especializada em ingredientes naturais para a indústria alimentícia, registrou aumento da demanda por soluções à base de frutas e vegetais desidratados e decidiu ampliar capacidade produtiva. A companhia prepara novas linhas de produção e embalagem para o varejo, além da expansão do estoque em 30%. Ainda neste ano, projeta uma nova linha de barras e tabletes capaz de dobrar a capacidade atual.
O movimento acompanha uma tendência global. Estudo da Morgan Stanley Research aponta que usuários desses medicamentos tendem a reduzir o consumo de álcool e alimentos altamente calóricos, já que os remédios atuam em áreas do cérebro ligadas ao apetite e à recompensa alimentar.
Qualidade supera quantidade
Para Ramon Lacowicz, diretor e sucessor da Polpa Brasil, o consumidor vive uma mudança estrutural na relação com a comida.
“Quando a pessoa passa a comer menos, ela tende a escolher melhor. O peso da decisão sai da quantidade e vai para a qualidade. Cresce a busca por alimentos que entreguem nutrição, saciedade e benefícios reais à saúde”, afirma.
Segundo ele, ingredientes naturais ganham protagonismo justamente por responderem a esse novo perfil de consumo. “Frutas e vegetais preservados oferecem sabor, valor nutricional e uma percepção clara de saudabilidade. É exatamente o que o mercado está pedindo hoje.”
Mercado reage
Criados inicialmente para diabetes tipo 2, os medicamentos também passaram a ser usados no tratamento da obesidade, condição que afeta cerca de 9 milhões de brasileiros. No mundo, o excesso de peso pode atingir 2,3 bilhões de adultos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Para especialistas do setor, esse cenário deve acelerar lançamentos de snacks funcionais, bebidas com benefícios adicionais, sobremesas com menos açúcar e alimentos mais limpos em formulação e rótulo.
Sobre a Polpa Brasil
Há cerca de 20 anos, a Polpa Brasil atende segmentos como panificação, confeitaria, laticínios, chocolates, snacks, bebidas, alimentos processados e mercado pet. A empresa também detém a marca Merendô!, fornecedora de barrinhas de frutas para merenda escolar em quatro estados, alcançando cerca de 1,5 milhão de estudantes.
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