NOTÍCIAS DO BRASIL
Escola que homenageou Lula é rebaixada
O TSE foi prudente, interpretando que não poderia fazer juízo de valores sobre manifestação cultural e artística que ainda não tinha sido realizada. Enfim, o Tribunal respeitou a própria jurisprudência, incluindo a vedação à censura prévia, negando assim os pedidos de liminares para proibir a homenagem pela escola de Niterói ao presidente, mesmo que tenha se manifestado candidato à reeleição. Porém, deixou no “ar” que a questão poderia ser revista sob o olhar de fatos.
O desfile ocorreu no domingo (15) e com algumas prudências adotadas pelo estafe do presidente, como podar o engajamento à festa dentro do Sambódromo. Lula até desceu do camarote e foi cumprimentar integrantes da escola de samba, mas manteve discrição. Janja, a primeira-dama, descartou juntar-se ao último carro alegórico. Ministros ficaram fora. Na passarela do samba, um misto de aplausos e vaias, características prementes de um país dividido entre esquerda e direita.
Nos bastidores e na imprensa, muita discussão sobre eventuais excessos ou provocações, sempre presentes nas expressões culturais, como as envolvendo os ex-presidentes Michel Temer e Jair Bolsonaro. O primeiro, levado ao palco como quem “roubou” a faixa presidencial de Dilma. O segundo, fantasiado do palhaço Bozo e até “enjaulado”.
Cientistas e observadores políticos se dividiam na compreensão sobre se a homenagem levada a milhões de espectadores, seja ao vivo no Sambódromo ou nas transmissões televisivas, conduziriam a dividendos futuros no processo eleitoral ou produziriam efeitos nocivos. É bem possível que pesquisas de institutos especializados possam sinalizar algum cenário.
O fato de momento é de que, na apuração desta quarta-feira (18), a Acadêmicos de Niterói ficou em 12° e último lugar, sendo rebaixada para o Carnaval do próximo ano. Mesmo que aficionados da escola e seus coordenadores tenham declarado previamente que se viam discriminados e já vislumbrando a repulsa dos jurados nesse contexto, os experts das modalidades do desfile carnavalesco reprovaram a Acadêmicos. O samba-enredo até mereceu média 29,9. Porém, pecou em fantasia e em alegorias e adereços.
A nota final da jovem escola, nascida Grêmio Recreativo Escola de Samba Acadêmicos de Niterói, foi 264,6. Ainda assim, longe da Mocidade Independente, que ficou em 11° lugar com seus 267,4 pontos. A grande campeã foi a Viradouro, com 270 pontos, que em seu enredo homenageou Moacyr Silva Pinto, o carnavalesco Mestre Ciça. A Viradouro também foi a vencedora do Estandarte de Ouro.
Foto Clara Radovicz | Riotur
NOTÍCIAS DO BRASIL
Brasil diz não abrir mão do Pix ao negociar tarifaço com os EUA
CNN – Após as ameaças feitas pelo governo dos Estados Unidos de aplicar novas tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, o governo federal tem se reunido com representantes comerciais americanos para tentar evitar um novo “tarifaço”.
As conversas giram em torno da investigação feita pelos EUA por meio da “Seção 301”, que analisa pontos da atuação econômica do Brasil, como as taxas cobradas no comércio internacional e o funcionamento do Pix. O governo brasileiro reforçou que o sistema de pagamentos é inegociável.
Na quinta-feira (2), o ministro do MDIC (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), Márcio Elias Rosa, se reuniu com o chefe do USTR (escritório do representante comercial), Jamieson Greer, e rechaçou qualquer possibilidade de negociações sobre o Pix, que vem sendo um dos principais alvos da investigação norte-americana.
Na reunião, o ministro apresentou um plano, que não engloba o Pix, com medidas que o Brasil pode vir a adotar para as demandas exigidas pelos EUA na Seção 301. Segundo apurou a CNN, as ações atenderiam todos os outros eixos da investigação, que são:
tarifas preferenciais desleais;
acesso ao mercado de etanol;
proteção da propriedade intelectual;
combate à corrupção; e
desmatamento ilegal.
A principal medida exposta como moeda de negociação foi a redução de tarifas que o Brasil cobra dos Estados Unidos sobre cerca de 300 tipos de transações comerciais. Já outras possibilidades apresentadas são textos em tramitação no Congresso Nacional ou medidas infralegais formuladas internamente no Palácio do Planalto.
Esta foi a quarta vez que Márcio Elias e Jamieson Greer se reuniram. Sob as diretrizes da OMC (Organização Mundial do Comércio), o Brasil não poderia baixar tarifas para apenas um país. Portanto, não poderia fazê-lo somente aos Estados Unidos. A solução encontrada foi acenar com a redução das taxas a vários países, em setores nos quais os americanos teriam maiores condições de competir e que não prejudicariam a indústria nacional.
Com o reforço de que o Pix não entrará nas negociações, as conversas entre os dois governos devem continuar. Na semana que vem, membros das áreas econômicas voltarão a se encontrar, e há expectativa de que o ministro do MDIC e o chefe do USTR se reúnam antes de 15 de julho, prazo no qual os EUA devem decidir sobre a recomendação, ou não, de novas tarifas ao BRASIL.
Disputa política
Enquanto as negociações econômicas prosseguem, o tarifaço americano e possíveis novas sanções comerciais têm sido motivo de declarações e troca de farpas entre os dois principais pré-candidatos à Presidência: Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
O presidente Lula criticou a família Bolsonaro nessa quinta-feira após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enviar uma carta aos Estados Unidos pedindo a suspensão das possíveis taxas contra o Brasil.
Nas redes sociais, Lula disse que o Brasil “não está à venda” e que defender o adiamento das tarifas para depois das eleição, como fez Flávio, é “uma traição à pátria”.
“Pedir que o tarifaço contra o nosso país seja adiado para depois das eleições é mais uma atitude de traidores da Pátria. Nunca houve e não há qualquer justificativa para tarifaço agora ou depois”, publicou Lula no X (antigo Twitter). “Nossa Pátria não está à venda. Nossa soberania é inegociável. O Brasil é dos brasileiros”, completou o presidente.
Mais tarde, ainda na quinta-feira, o senador Flávio Bolsonaro rebateu, também pelo X, as declarações de Lula. Segundo Flávio, Lula “é o único que quer o tarifaço contra produtos brasileiros”. O filho de Jair Bolsonaro criticou o que chamou de “falsa narrativa de defesa da soberania” do atual chefe do Executivo.
“Provocou, esbravejou, não negociou e fez lobby a favor do PCC e do Comando Vermelho para que não fossem classificados como terroristas. Envergonhou o Brasil perante o mundo! Ignorou o sofrimento de mais de 50 milhões de brasileiros que moram em áreas dominadas por esses narcoterroristas”, disse Flávio.
Matéria especial da CNN
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