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Romanelli defende uso de recursos dos juros da dívida pública na habitação de interesse social

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O deputado Luiz Cláudio Romanelli (PSD) destacou novamente nesta segunda-feira, 9, o tema da Campanha da Fraternidade deste ano e disse que é necessário a reflexão dos recursos previstos para habitação em 2026 e o montante destinado para o pagamento de juros da dívida pública. “O tema deste ano é moradia digna como prioridade e é preciso falar de números. A Constituição garante o direito a um lar. Mas o Brasil é um país rico e desigual e na hora de colocar o dinheiro onde o povo está, a conta não fecha. O governo está prevendo investir cerca de R$ 144 bilhões do FGTS em habitação em 2026 . É um volume significativo, vindo do fundo do trabalhador”.

“Só que a gente precisa comparar com o que o país gasta apenas para pagar juros da dívida pública. Enquanto se discute cada centavo para moradia popular, os juros consomem anualmente uma cifra na casa de R$ 500 bilhões – um valor muito superior. Ou seja, o que a gente investe para dar um teto para o povo é uma fração do que se paga em juros. É aí que mora a questão: o problema não é falta de recursos no país, é falta de prioridade. Enquanto a fila da moradia anda a passos lentos, os juros correm soltos”, completou.

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Romanelli reitera ainda que o tema da campanha é claro: moradia digna tem que sair do papel e virar prioridade de verdade no orçamento público. “As autoridades e os governos precisam parar de empurrar esse problema com a barriga. Moradia não é favor, é direito”, defendeu.

Déficit
Os burocratas do orçamento, como diz Romanelli, sempre preferem investir para o pagamento dos juros da dívida pública. “Nós temos recursos do FGTS, mas eles têm que ter subsídio, porque senão a gente não viabiliza a moradia para quem ganha até dois salários mínimos, que é a grande massa salarial do país”, aponta.

O déficit habitacional no Brasil, estimado em 5,9 milhões de moradias, representa a construção de moradias para famílias de baixa renda (habitação de interesse social), o que corresponde a 8,3% dos domicílios ocupados no país. O déficit habitacional no Paraná é estimado em 500 mil moradias, conforme aponta a Cohapar em 2025. Esse número reflete a necessidade de novas unidades habitacionais, especialmente para a população de baixa renda (interesse social)

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“Agora, se investe meio trilhão de reais no orçamento de 2026, só para pagar juros da dívida, reconheçamos: onde nós vamos parar com isso? Até quando vamos suportar essa inversão completa de valores? Ou seja, o que a gente investe para dar um teto para o povo é uma fração do que se paga em juros. E aí que mora a questão. O problema não é a falta de recursos no país, é a falta de prioridades. Enquanto isso, muita gente vivendo em situação precária. E os juros correndo soltos. Vamos inverter essa lógica para tirar do papel e transformar a vida de milhões de brasileiros”, apontou Romanelli.

Moradias precárias
O retrato da habitação no país, no entanto, é muito cruel aos mais pobres, disse Romanelli. O último censo revela que o número de pessoas em situação de rua cresceu 25%, chegando a 328 mil pessoas. “Se olharmos para as moradias precárias, o número assusta. São mais de 26 milhões de domicílios sem as condições básicas de habitabilidade”, pontuou.

“Quem já trabalhou na ponta, como eu fiz, como secretário de Habitação e presidente da Cohapar, por duas gestões (1991/1194 e 2003/2006), sabe. A casa própria é o alicerce de qualquer família. É mais fácil erguer a cabeça quando se tem um teto digno sobre ela”, completou.

Romanelli é um dos principais articuladores de políticas de habitação popular no Paraná, autor da lei que criou o Fundo, o Sistema e o Conselho Estadual de Habitação de Interesse Social em 2007. Este sistema é frequentemente associado ao programa Casa Fácil Paraná e de recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para construções de interesse social.

Casa Fácil
O Paraná, segundo Romanelli, está fazendo a sua parte. Referência nacional, o estado tem recordes na habitação popular através do programa Casa Fácil. Desde 2019, o programa já atendeu mais de 130 mil famílias, com investimento superior a R$ 1,5 bilhão. Presente em 371 das 399 cidades paranaenses, o Casa Fácil também movimentou cerca de R$ 23,9 bilhões na construção civil, impacto expressivo na geração de empregos e renda.

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Pela modalidade Valor de Entrada, a Cohapar garante o subsídio de R$ 20 mil a pessoas com renda de até quatro salários-mínimos. O aporte reduz o valor de entrada dos financiamentos da Caixa Econômica Federal e facilita o acesso à casa própria. Já são quase 100 mil famílias atendidas exclusivamente por essa modalidade.

“Esta modalidade, ampliada em maio do ano passado, oferece R$ 80 mil de desconto para que pessoas entre 60 e 70 anos consigam comprar um imóvel com período de financiamento reduzido”, afirmou o deputado. Até dezembro, segundo a Cohapar e a Caixa, 274 idosos já estavam com a análise de crédito e o benefício aprovados pelo agente financeiro, totalizando um aporte direto de mais de R$ 21,9 milhões pelo Estado.

Vida Nova
Outra ação para a população idosa é o Casa Fácil – Viver Mais, construção de condomínios residenciais fechados e adaptados. Cada empreendimento tem 40 moradias, que funcionam no modelo de aluguel social, com pagamento correspondente a 15% de um salário-mínimo, além de contarem com estrutura completa de lazer e atendimentos periódicos com médicos, psicólogos, fisioterapeutas, enfermeiros e educadores físicos. São oito condomínios já entregues e outros 24 estão em fases de execução, licitação ou projeto, com um total de 1.280 unidades habitacionais e investimentos que ultrapassam R$ 244 milhões.

“Para atender pessoas em situação de vulnerabilidade, o Casa Fácil – Vida Nova foca na desfavelização e reassentamento de famílias que residem em áreas irregulares, de risco ou em extrema precariedade. Realizado em parceria com o BID, o projeto recebeu investimento de R$ 1 bilhão e tem previsão de construir até 6 mil casas”, destacou Romanelli.

Pelo Minha Casa Minha Vida, programa do governo federal em parceria com Estado e construtoras, foram contratadas 142,3 mil moradias. As financiadas pelo FGTS foram 133,5 mil. Foram mais 7,5 mil moradias subsidiadas para a população de baixa renda (faixa 1) em 191 conjuntos habitacionais e mais a retomada das obras em 1,4 mil moradias – ainda na faixa 1 – em 81 empreendimentos.

(fotos: Valdir Amaral/Alep)

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Audiência pública defende união de todos os poderes no combate ao feminicídio e à violência contra a mulher

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O Plenário da Assembleia Legislativa do Paraná recebeu, nesta terça-feira (18), a Audiência Pública “Balanço do Pacto Brasil Contra o Feminicídio”, promovida pelas deputadas Ana Júlia e Luciana Rafagnin, ambas do PT. O encontro reuniu autoridades dos três Poderes da República (Executivo, Legislativo e Judiciário), além de autoridades estaduais e municipais, em um debate sobre as políticas públicas de prevenção e enfrentamento à violência contra as mulheres e ao feminicídio.

Além das proponentes, a mesa foi composta pela primeira-dama do Brasil, Janja da Silva; pela ministra das Mulheres, Márcia Lopes; pelo ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, José Guimarães; pelas deputadas federais Gleisi Hoffmann e Carol Dartora, ambas do PT; pelo secretário Nacional de Segurança Pública, Chico Lucas; pela secretária da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa do Paraná, Mariana Neris; e pelo presidente da 6ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado do Paraná (TJPR), voltada exclusivamente ao julgamento de casos de violência doméstica e familiar contra a mulher, desembargador Luiz Osório Moraes Panza.

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“As vítimas fazem parte de uma triste estatística: cerca de 79% dos casos de feminicídio no Brasil ocorrem por ação de parceiros e ex-companheiros — homens com quem elas dividiram suas casas, seus sonhos, com quem tiveram filhos, homens que se acham no direito de tirar a vida de suas companheiras sem nenhum motivo. Nenhuma mulher deveria morrer por dizer que não quer mais. Nenhuma mulher deveria morrer por querer seguir sua vida sozinha, se libertar da violência, viver outras experiências, encontrar outros parceiros, ter outro trabalho”, afirmou a primeira-dama na abertura da audiência, destacando a importância da prevenção à violência de gênero antes que ela chegue a essas gravíssimas consequências, como prega o pacto contra o feminicídio.

PLANO DE TRABALHO

Para a ministra Márcia Lopes, nascida em Londrina, a adesão do Paraná ao pacto nacional, lançado em fevereiro deste ano, é um grande avanço nessa luta contra a violência contra as mulheres.

“O Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio, que une os três poderes — a Presidência da República, a Justiça, a Câmara e o Senado —, tem exatamente como objetivo fortalecer a rede de atendimento e proteção às mulheres, a responsabilização dos agressores e a mudança de cultura, para que, de uma vez por todas, a gente entenda o que está acontecendo do ponto de vista das relações humanas, das convivências e dessa tragédia que é o feminicídio, já como fim da linha. Não podemos admitir isso. Temos que zerar o feminicídio e entender que nenhuma mulher pode conviver com qualquer tipo de violência, da menor à mais grave, que é o feminicídio”, destacou, citando o pequeno avanço que já houve nessa grave questão social a partir da união de esforços dos três poderes e de todas as esferas governamentais.

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Fonte: ALEP

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